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ONU diz que condições para um Estado palestino estão se extinguindo

Durante uma reunião de alto nível sobre a solução de dois Estados, Guterres defendeu a sua criação com base nas fronteiras anteriores a 1967

Por Isabel Alvarez

Enlutados carregam os caixões de duas pessoas envoltos na bandeira palestina

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou que as condições para estabelecer um Estado palestino independente, democrático, viável e soberano estão sendo sistematicamente apagadas, segundo comunicado divulgado pelo seu gabinete.

Durante uma reunião de alto nível sobre a solução de dois Estados, Guterres defendeu a sua criação com base nas fronteiras anteriores a 1967, alinhado ao direito internacional, às resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e a acordos anteriores. O líder das Nações Unidas recordou que, há um ano, vários países reconheceram o Estado da Palestina e afirmou que a solução de dois Estados constitui o único caminho credível para a paz e a segurança duradouras para palestinos e israelenses.

No entanto, alertou que as condições para a criação desse Estado estão se deteriorando nos territórios palestinos ocupados. Guterres citou, em especial, a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, que, segundo afirmou, acelera há quase uma década após a aprovação da resolução 2334 do Conselho de Segurança. Além disso, denunciou o desenvolvimento de novos postos avançados de colonos e o aumento da violência destes contra os palestinos, bem como demolições, despejos, deslocamentos, confiscos de terras e alterações no statu quo dos locais sagrados.

"Estas ações estão criando um ambiente cada vez mais coercivo que está expulsando famílias palestinas das suas casas e terras e levantando o espectro da limpeza étnica", sublinhou.

Guterres conversou também sobre o conflito no Oriente Médio com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o rei Abdullah II da Jordânia e o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani. Guterres e Abdullah II discutiram a situação na Palestina e no Líbano. Ambos concordaram sobre a importância da recuperação, da reconstrução e da necessidade de promover uma solução negociada de dois Estados.

Já Erdogan e Guterres abordaram também a situação em todo o Oriente Médio, além do Chipre e da guerra na Ucrânia, outro tema central na edição deste ano da Assembleia Geral da ONU. Com o emir do Catar, o chefe da ONU reafirmou a importância de respeitar os direitos e as liberdades de navegação, sobretudo no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, e no de Bab el-Mandeb, ameaçado pelos rebeldes houthis do Iêmen.

O chefe das Nações Unidas elogiou a cooperação de longa data do Catar com a ONU e reafirmou o compromisso da organização em continuar a avançar na prevenção de conflitos e na mediação. O Catar, a Jordânia e a Turquia mantêm uma postura coordenada em relação à tensão entre os Estados Unidos e o Irã e têm defendido, em diversas ocasiões, uma saída pacífica para o conflito através da mediação. O Catar tem desempenhado um papel ativo na mediação entre Washington e Teerã.

Palestina

Atualmente, entre 150 e 156 dos 193 Estados-membros da ONU reconhecem oficialmente o Estado da Palestina. O número representa cerca de 80% dos países que integram as Nações Unidas.

A lista cresceu depois do reconhecimento formal por diversos países da Europa e de outras regiões, como Espanha, Noruega, Irlanda, além dos anúncios mais recentes do Reino Unido, França, Canadá, Austrália e Portugal. A Palestina possui o status de Estado observador não membro da ONU, posição aprovada pela Assembleia Geral em 2012.

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