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OCDE projeta crescimento global de 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027 e alerta para energia

OCDE avalia que o crescimento global perdeu fôlego no primeiro semestre de 2026, mas permaneceu resiliente em muitos países

Por Estadão Conteúdo

OECD

A OCDE avalia que o crescimento global perdeu fôlego no primeiro semestre de 2026, mas permaneceu resiliente em muitos países, apesar dos efeitos adversos do conflito no Oriente Médio. Segundo o relatório interino de perspectivas econômicas da OCDE, divulgado nesta quarta-feira, 23, estoques elevados de petróleo, oferta adicional fora das economias do Golfo e medidas discricionárias de apoio adotadas por governos ajudaram a amortecer o impacto sobre a economia mundial. A atividade ligada à inteligência artificial (IA) também sustentou investimento, produção e comércio.

A organização ressalta, no entanto, que as perspectivas seguem muito dependentes de uma solução duradoura para o conflito no Oriente Médio. A OCDE observa que os preços de energia voltaram a subir com o agravamento das interrupções na produção e nas exportações no Golfo. Margens de refino elevadas, em razão de gargalos produtivos, estão pressionando os preços ao consumidor e os custos das empresas. Alguns preços agrícolas também avançaram de forma acentuada nos últimos meses, em parte devido ao impacto de eventos climáticos extremos sobre a oferta.

O relatório cita ainda que mudanças em políticas comerciais, incluindo tarifas e restrições à exportação, aumentam a incerteza e contribuem para rupturas na oferta. A OCDE estima que novas tarifas bilaterais dos EUA, em vigor a partir de julho elevaram em cerca de 1 ponto porcentual a tarifa efetiva média americana.

Outro ponto de atenção é a alta dos juros de longo prazo, que levou as taxas aos maiores níveis em 15 anos ou mais em muitas economias, em meio a preocupações com riscos fiscais de longo prazo e à forte emissão de títulos por empresas ligadas à IA. Apesar disso, a OCDE afirma que as condições financeiras, no geral, seguem favoráveis, com bolsas em níveis elevados e melhora no crescimento do crédito.

A OCDE projeta que o PIB global cresça 2,9% em 2026 e 3,0% em 2027. Em relação às estimativas divulgadas em junho, a projeção para 2026 foi revisada para cima em 0,1 ponto porcentual, enquanto a de 2027 foi reduzida em 0,1 ponto.

Nos EUA, a OCDE prevê expansão de 2,2% em 2026 e 2,1% em 2027, com revisões de +0,2 ponto porcentual (pp) e +0,3 pp, respectivamente. Na zona do euro, a projeção é de crescimento de 1,0% em 2026 (+0,2 pp) e 1,0% em 2027 (-0,2 pp). Na China, a OCDE manteve a previsão de 4,5% em 2026, mas cortou a de 2027 em 0,1 pp, para 4,2%.

A inflação, segundo a OCDE, tende a subir no curto prazo, refletindo o avanço de commodities, antes de ceder gradualmente em 2027, à medida que os preços de energia arrefecem e a política monetária mais restritiva ajuda a conter pressões mais amplas. A inflação cheia do G20 é projetada para cair de 4,1% em 2026 para 3,6% em 2027, enquanto a inflação subjacente nas economias avançadas deve desacelerar de 2,7% para 2,5%.

A organização enfatiza que há incerteza significativa, especialmente quanto à energia. Uma normalização mais rápida dos mercados de petróleo e gás reduziria as pressões inflacionárias e apoiaria a atividade, mas interrupções renovadas ou persistentes poderiam resultar em inflação mais alta e crescimento mais fraco. Entre outros riscos de baixa, a OCDE menciona choques climáticos sobre a oferta, incluindo um El Niño muito forte, que afetem a produção agrícola e pressionem os preços de alimentos. Também cita o risco de reprecificação de ativos caso os retornos de investimentos em IA decepcionem ou os rendimentos de títulos soberanos sigam subindo. No lado positivo uma adoção de IA mais rápida, com ganhos de produtividade, poderia levar a um crescimento acima do projetado.

No campo da política monetária, a OCDE afirma que bancos centrais precisam manter as expectativas de inflação bem ancoradas e que novos ajustes podem ser necessários se as pressões de preços se disseminarem ou se as perspectivas de crescimento piorarem de forma relevante. O relatório também defende supervisão cuidadosa para preservar a estabilidade financeira e o avanço de regulações para intermediários financeiros não bancários e criptoativos.

A OCDE recomenda que medidas governamentais para amortecer o impacto de energia mais cara sejam bem focalizadas, preservem incentivos para reduzir o consumo e diversificar fontes e tenham critérios claros para serem encerradas. A alta dos rendimentos de títulos, acrescenta a organização, reforça a necessidade de conter e realocar gastos públicos, melhorar a eficiência do setor público e fortalecer receitas, dentro de estratégias plurianuais críveis de consolidação fiscal.

Por fim, o relatório defende reformas estruturais para elevar o crescimento potencial e a resiliência a choques de oferta, incluindo medidas para diversificar a energia e melhorar a eficiência, além de ações que ampliem a capacidade de mercados de trabalho e de produtos se ajustarem a choques.