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UE, Brasil, Canadá e Quênia lançam iniciativa em defesa do multilateralismo

Os quatro defendem instituições mais representativas e eficazes

Por Isabel Alvarez

81ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York.

O presidente do Conselho Europeu, o primeiro-ministro do Canadá e os presidentes do Brasil e do Quênia anunciaram uma iniciativa em apoio à reforma da Organização das Nações Unidas e outras instituições multilaterais, num artigo de opinião conjunto publicado no último domingo no jornal britânico Financial Times.

O manifesto designado “Partners for Multilateralism” (P4M), iniciativa conjunta apresentada respectivamente por António Costa, Mark Carney, Luiz Inácio Lula da Silva e William Ruto, pretende reunir países de diversas regiões do mundo no apoio à reforma da ONU, assim como reforçar o direito internacional, a paz e a cooperação diante da polarização global. Além de promover respostas mais efetivas aos desafios globais, entre as quais, as alterações climáticas e a inteligência artificial.

O multilateralismo não é idealismo, é uma necessidade, defenderam no artigo, mostrando ao longo do texto a interligação a nível mundial e apontando que é preciso reforçar o sistema de cooperação, não substituí-lo. Para sustentar a sua posição, contrapõem a crescente integração econômica ao agravamento das tensões geopolíticas, apresentando valores.

“O comércio global atingiu um recorde e quase três quartos da humanidade estão ligadas à internet. No entanto, a geopolítica caminha no sentido contrário. Em 2025 houve 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais alto registrado desde 1946, e os gastos militares globais aumentaram para um recorde de 2,9 bilhões de dólares”, indicam no artigo.

Os quatro defendem instituições mais representativas e eficazes, e propõem uma estrutura aberta que reúna governos que divergem em várias matérias, mas que compartilham os princípios da Carta das Nações Unidas. Segundo eles, a necessidade de cooperação multilateral é mais evidente do que nunca e exemplificam outras áreas que entendem mostrar a premência dessa necessidade.

“A emergência climática está ultrapassando até as previsões mais alarmantes. A IA avança mais rápido do que a nossa capacidade de controlá-la. As pandemias podem espalhar-se por continentes em semanas, enquanto os choques financeiros podem desestabilizar os mercados em horas”, afirmam.

Os promotores da iniciativa apelaram também a outros líderes internacionais para se juntarem na escolha da cooperação em vez da fragmentação, da lei em vez do poder e da responsabilidade partilhada em vez da divisão.

O P4M foi divulgado as vésperas dos líderes mundiais participarem da Assembleia Geral da ONU, esta semana, em Nova Iorque. Os principais debates do encontro dos dirigentes mundiais devem se focar em temas de grande relevância para a governança global, como a reforma das Nações Unidas, a sucessão do secretário-geral do organismo, António Guterres, os conflitos e o avanço da inteligência artificial.

Com 81 anos de existência, a ONU enfrenta pressões crescentes por reformas em seu sistema de governança. Um dos pontos centrais é a composição do Conselho de Segurança, que se encontra ‘completamente paralisado’ pela falta de consenso entre os cinco países com assento permanente, sobretudo Rússia e China, de um lado, e Estados Unidos, do outro, que aplicam o direito ao seu poder de veto para bloquear decisões.