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Morreu Ratko Mladic, conhecido como o carniceiro da Bósnia

Mladic integrava o trio composto por Slobodan Milosevic, presidente iugoslavo, e Karadzic, antigo líder sérvio-bósnio, procurado pelo TPI por longos anos

Por Isabel Alvarez

Ratko Mladic como general

O ex-general sérvio Ratko Mladic, que comandou o Massacre de Srebrenica contra mais de oito mil bósnios, em 1995, morreu hoje aos 84 anos, em Haia.

Enquanto chefe do Exército da República Sérvia, Mladic liderou aquela que é considerada a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, o ataque em massa em Srebrenica, uma zona de segurança das Nações Unidas durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

O ex-general cumpria pena de prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade e era acusado de conspiração criminosa pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI). Mladic foi preso em 2011 e, apesar do estado de saúde cada vez mais fragilizado, os recursos para a libertação foram continuamente rejeitados até o dia da sua morte.

Mladic integrava o trio composto por Slobodan Milosevic, presidente iugoslavo, e Karadzic, antigo líder sérvio-bósnio, procurado pelo TPI por longos anos. O exército de Mladic lutava através de um modelo que associava a brutalidade e a tradição guerreira sérvia. Algumas das vítimas nas mãos do “carniceiro da Bósnia” foram aprisionadas, deixadas ao calor sem comida e sem água e, de seguida, executados.

"Mladic é um símbolo de todos os crimes horríveis que aconteceram durante a guerra. As nossas meninas foram violadas e os meninos assassinados. Não há diferença para Hitler”, afirmou Munira Subasic, mãe e mulher de duas vítimas das forças militares sérvias.

O ex-comandante militar visava construir uma “Grande Sérvia”, expulsando muçulmanos bósnios, croatas e outros não-sérvios da região. Filho de um combatente da Segunda Guerra Mundial, Mladic era apenas um oficial no antigo Exército Popular Iugoslavo no início da desintegração do território, em 1991.