Parlamento do Líbano revoga a pena de morte no país
Aprovação ocorre em meio a retrocessos em países vizinhos, como em Israel, que aprovou em março, a aplicação da pena capital para palestinos e na Jordânia, que realizou uma execução em massa, em junho
O Parlamento do Líbano aprovou nesta terça-feira (11), uma série de emendas à legislação atual para abolir a pena de morte, pondo assim fim a uma moratória "de fato" em vigor no país, que não realiza nenhuma execução desde 2004.
A legislação prevê a abolição da pena de morte para aqueles que já foram condenados e sua substituição por prisão perpétua com "trabalhos forçados agravados", enquanto as penas daqueles que forem condenados após a aprovação da lei serão comutadas nos mesmos termos, conforme informou a agência de notícias NNA.
A proposta, apresentada pelo deputado Abdurramán al Bizri, permite alterar o artigo 37 do Código Penal e revogar o artigo 43, bem como os artigos 420 a 424 do Código de Processo Penal libanês, que estabelecem os procedimentos para a execução das penas de morte.
O ministro da Justiça libanês, Adel Nasar, descreveu a abolição da pena de morte como um "passo histórico". A medida foi aprovada sem o voto da coalizão política do partido-milícia xiita Hezbollah, cujos membros abandonaram a sessão antes da votação na Câmara.
A aprovação da lei ocorre em meio a retrocessos em países vizinhos. Em março passado, o Parlamento israelense aprovou uma reforma legal que prevê a aplicação da pena de morte por enforcamento e em segredo para crimes de terrorismo, mas exclusivamente para palestinos.
Além disso, em junho passado, as autoridades jordanianas executaram seis homens na forca, condenados por acusações de terrorismo e tráfico de drogas, sendo essas as primeiras execuções em massa no país desde 2017, segundo denúncia da ONG Human Rights Watch (HRW).