Nações Unidas condenam ataques russos que matam cada vez mais civis
Segundo divulgou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os ataques russos do mês passado ainda causaram 2.129 feridos
O Coordenador humanitário das Nações Unidas na Ucrânia, Mathias Schmale, condenou nesta quarta-feira (5) os ataques russos no território ucraniano que tornaram julho de 2026 o mês mais mortífero para os civis no país, desde abril de 2022, resultando na morte de 377 pessoas. "Os civis de toda a Ucrânia devem poder viver, trabalhar e criar filhos sem medo de novos ataques", defendeu.
Segundo divulgou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os ataques russos do mês passado ainda causaram 2.129 feridos, o que representa um aumento significativo em relação a junho, quando foram registrados 293 civis mortos e 1.990 feridos na Ucrânia.
"Muitos civis morreram e muitas vidas foram afetadas nas áreas densamente povoadas da região de Kiev e nos arredores da capital do país", lamentou Schmale, acrescentando que a intensificação das ofensivas atingiu civis em outras partes do país, onde casas, escolas, veículos de transporte público, sistemas de água e armazéns humanitários foram danificados.
O coordenador elencou que os ataques aéreos e com drones atingiram inúmeras cidades, como Kramatorsk, Kherson e Zaporijia, matando e ferindo centena de residentes, incluindo crianças. “O direito internacional humanitário obriga os dois lados em guerra a protegerem pessoas e infraestruturas civis”, enfatizou.
O que diz o governo ucraniano
A situação foi considerada como um ‘terror deliberado’ pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que disse que foram usados pelas forças russas quase 1.700 drones, mais de 1.630 bombas aéreas guiadas e mais de 50 mísseis balísticos só na última semana.
O mês de agosto também já registrou ataques em grande escala pela Rússia. Na madrugada desta quarta-feira (05) pelo menos 17 pessoas morreram e 44 ficaram feridas após os intensos ataques noturnos lançados por Moscou contra sete locais da região de Kiev.
“Os alvos foram, sobretudo armazéns pertencentes a empresas civis. Houve também ataques a infraestruturas e a uma estação ferroviária. Estes estabelecimentos não têm qualquer relação com a guerra. Incluem uma cervejaria, um armazém de materiais de construção e um centro de logística", acusou Zelensky.
Por outro lado, o Ministério russo da Defesa afirmou que atingiu centros logísticos que eram usados para fins militares.
De acordo com autoridades militares ucranianas, a Ucrânia não conseguiu interceptar nenhum míssil, apenas os drones, devido à grave escassez de munições antimíssil balístico. A Ucrânia intercepta a maioria dos drones russos graças às tecnologias que desenvolveu desde o início da invasão russa, porém depende dos fornecimentos ocidentais para neutralizar os mísseis balísticos.
O presidente ucraniano voltou a sublinhar a importância dos interceptores de mísseis balísticos. "Os interceptores de mísseis balísticos poderiam ter salvado as vidas daqueles que morreram hoje. É essencial que os nossos parceiros compreendam que os atrasos na entrega ou a relutância em fornecer sistemas antimísseis balístico levam precisamente a estas perdas humanas", enfatizou.
Zelensky adiantou que conversou hoje com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, sobre toda a situação. “Rutte está bem informado sobre as ameaças e coordenamos as nossas atividades com os países que dispõem dos mísseis necessários e da capacidade para ajudar. Estamos a trabalhar o máximo possível com todos os parceiros que possam ajudar no fornecimento de mísseis interceptores para proteger contra esses ataques russos injustificados contra vidas, pessoas e alvos civis", declarou.
Enquanto isso, Rússia e a Ucrânia vêm intensificando os bombardeios aéreos nos últimos meses. Kiev, a capital, tem sido um alvo frequente. A escalada russa surge na sequência de novas operações anunciadas por Zelensky contra o território russo, que visa centros logísticos e refinarias na Rússia.
O Ministério da Defesa russo informou que abateu hoje 475 drones ucranianos sobre diversas regiões da Rússia.