Incêndio na França obriga a evacuação de mais de 20 mil pessoas
Na terça-feira, dois bombeiros morreram após o veículo em que seguiam ter sido cercado pelas chamas
Mais de 20 mil pessoas, incluindo milhares de turistas, tiveram de ser retiradas de uma região do sudoeste de França que está sendo atingida por um forte incêndio. As chamas afetam a zona da baía de Arcachon, em Gironda, a cerca de 50 quilômetros de Bordeaux, e já destruíram mais de três mil hectares em menos de 24 horas. Na terça-feira, dois bombeiros morreram após o veículo em que seguiam ter sido cercado pelas chamas.
De acordo com os bombeiros, o fogo também se aproxima de habitações em Lège-Cap-Ferret, enquanto o serviço de meteorologia prevê ainda um aumento da temperatura e dos ventos ainda hoje.
Segundo as autoridades locais, 700 bombeiros, 44 militares, 10 viaturas, e quatro aeronaves de combate trabalham para controlar o incêndio, que é muito intenso. Até o momento não há registro de feridos, mas a evacuação da área foi uma medida preventiva. A Baía de Arcachon é um ponto turístico muito popular e a ordem de evacuação foi aplicada a seis parques de campismo e um espaço residencial naturista.
A França tem sido fortemente atingida por incêndios e temperaturas extremas e, atravessa a terceira onde de calor em menos de dois meses. A Météo-France anunciou hoje que a onda de calor entre 4 a 19 de julho foi a terceira mais longa de que se tem registro.
Na quarta-feira (22), a agência francesa de saúde pública anunciou que a onda de calor no país que ocorreu entre 17 de junho e 2 de julho levou a um aumento de mortalidade, com 5.764 mortes em excesso registradas, considerado uma elevação sem precedentes.
Na França, os incêndios florestais nunca consumiram tanta superfície nesta época do ano. Segundo o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, mais de 12.500 incêndios oram notificados desde o início do ano, e 44 mil hectares já foram queimados.
Mas, os incêndios florestais também continuam atingem outros países europeus, alimentados pelas altas temperaturas e pelo vento, obrigando a evacuações e mobilizando milhares de operacionais. De acordo com dados de satélite do sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, este ano é o segundo pior em termos de área queimada por incêndios florestais na União Europeia neste período desde que os registros começaram há 20 anos.
Na Sicília, na Itália, os incêndios continuam sem controle e cerca de 100 pessoas foram retiradas das suas casas na cidade de Santo Stefano Quisquina e uma casa de repouso foi evacuada por precaução. Os bombeiros admitem dificuldades em conter as chamas devido às temperaturas extremas, ao vento e à escassez de meios aéreos, num momento em que diversos focos de incêndios foram deflagrados simultaneamente na ilha.
Já na Espanha, a situação permanece igualmente crítica. “Mais de cem mil hectares foram consumidos pelos incêndios florestais em todo o país. Para se ter uma ideia, esse valor corresponde à média anual registrada na Espanha na última década”, revelou Pedro Sanchez, primeiro-ministro espanhol.
Mudanças climáticas
Os especialistas destacam que a Europa é o continente que aquece mais rapidamente e alertam que as alterações climáticas aumentam a frequência e a intensidade dos incêndios florestais. Eles explicam que as florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem há meses com uma seca agravada pelas ondas de calor excepcionais que atingiram o continente em junho e julho, provocando maior evaporação da água. Os climatologistas do World Weather Attribution, grupo internacional de cientistas, divulgaram hoje um estudo, no qual concluíram que as mudanças climáticas, causadas, sobretudo pela queima contínua de petróleo, gás e carvão, agravam a seca atual.