Trump concorda em retomar negociações com o Irã
Segundo a mídia iraniana, uma delegação do Catar, um dos mediadores do conflito, já esta em Teerã para conversações a fim de tentar recuperar o caminho para um cessar-fogo e o fim da guerra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou hoje nas redes sociais que aceitou o pedido do Irã de regressar à mesa das negociações, apesar de insistir, no entanto, que o cessar-fogo entre os dois países terminou.
"A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as negociações. Nós concordamos, mas os Estados Unidos destacaram de forma inequívoca que o cessar-fogo ACABOU!", escreveu.
Segundo a mídia iraniana, uma delegação do Catar, um dos mediadores do conflito, já esta em Teerã para conversações a fim de tentar recuperar o caminho para um cessar-fogo e o fim da guerra. A imprensa dos EUA também confirma a notícia.
O Catar instou ambas as partes a honrarem o memorando de entendimento e a darem continuidade às conversações para evitar uma nova escalada do conflito. O primeiro-ministro e chanceler catari, o xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, disse na rede social X que fez o apelo durante uma chamada com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, outro mediador nas negociações. Al Thani ainda ressaltou a necessidade de proteger a liberdade de navegação através do Estreito de Ormuz, alertando que a passagem segura continua a ser essencial para a segurança regional.
A embaixadora adjunta dos EUA na ONU, Tammy Bruce, também declarou na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que os EUA preferem uma solução diplomática para o conflito com o Irão, mas, ao mesmo tempo, disse que estão prontos para responsabilizar o Irã pelos seus atos que desafiam a paz e a segurança internacionais. “Esperamos que o Irã opte por voltar a cumprir as suas obrigações e se envolva seriamente em negociações para alcançar um acordo final. Embora o diálogo ainda seja possível, não podemos negociar enquanto o Irã não cumprir obrigações básicas, obrigações simples como não disparar sobre alvos civis”, afirmou Bruce.
Os últimos confrontos entre norte-americanos e iranianos recomeçaram na terça-feira com troca de ataques, considerados os mais intensos desde a assinatura do acordo preliminar em 17 de junho. Os Estados Unidos atacaram o Irã por duas noites seguidas, acusando Teerã pelos recentes bombardeios contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. O Irã retaliou com ofensivas contra bases militares norte-americanas em países aliados do Oriente Médio.
Por sua vez, Trump declarou o fim da trégua e criticou duramente os líderes iranianos, que classificou de doentes e malucos.
A escalada das tensões decorreu em plenas cerimônias fúnebres do líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra iniciada a 28 de fevereiro por bombardeios israelenses e americanos.
Enquanto isso, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, adiantou que o seu país está pronto para a defesa total, caso isso seja necessário. Ghalibaf acusou Washington de trair o memorando de entendimento, avisando que esta nova fase da guerra nunca vai terminar com a rendição do Irã.