Onda de calor extremo na Europa causou milhares de mortes
Com temperaturas recordes que superaram os 40° C em diversos países, ainda ocasionou interrupções na energia e impactaram os sistemas de saúde que ficaram sobrecarregados.
Nesta quinta-feira (09), o Instituto Robert Koch para a saúde pública comunicou que a Alemanha registrou cerca de 5.120 mortes relacionadas com o calor este ano, a maioria das quais no final de junho, quando as temperaturas médias semanais ultrapassaram os 20°C. As autoridades nacionais reportaram também que mais de 4.700 mortes ocorreram durante a onda de calor extremo de 20 a 28 de junho na França, Bélgica, Holanda e Espanha.
Com temperaturas recordes que superaram os 40° C em diversos países, ainda ocasionou interrupções na energia e impactaram os sistemas de saúde que ficaram sobrecarregados.
Segundo o relatório semanal do Instituto, aproximadamente 4.270 das mortes aconteceram entre os alemães com 75 anos ou mais. Os dados contribuem para um quadro agravante na Europa, uma vez que o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia informou num boletim divulgado hoje que a Europa Ocidental teve o junho mais quente de que se tem registro, com uma média de 20,74°C.
“O mês de junho foi o mais quente de que há registro na Europa Ocidental e o segundo mais quente no mundo, tendo em conta as temperaturas registradas em terra e no mar. As temperaturas próximas dos recordes, impulsionadas pelas temperaturas da superfície do mar (TSM) são as mais elevadas alguma vez registradas para o mês. A Europa foi atingida por um calor extremo em terra e no mar durante o mês, com grande parte da Europa Ocidental a sofrer uma onda de calor recorde e ondas de calor marinhas no Mediterrâneo Ocidental e ao longo das costas atlânticas", informou o Copernicus.
Já a TSM média mensal para o oceano extrapolar foi a mais elevada registrada, atingindo os 20,86°C e ultrapassando o recorde estabelecido em junho de 2024 por 0,01ºC, refletindo em parte o desenvolvimento de fortes condições de El Niño no Pacífico equatorial.
O Copernicus indicou que a onda de calor de junho bateu recordes mensais e históricos de temperatura em diversos países europeus e colaborou para graves impactos na saúde, incluindo inúmeras mortes relacionadas com o calor, tendo ocorrido apenas algumas semanas após uma onda de calor particularmente intensa em maio.
"Junho de 2026 sublinhou a profundidade das alterações climáticas. A Europa Ocidental registrou o junho mais quente da sua história e manteve o aquecimento recorde no oceano global. Juntos, estes recordes refletem um sistema climático que continua a acumular calor. O resultado são ondas de calor cada vez mais intensas, um oceano persistentemente quente e riscos crescentes para as pessoas, ecossistemas e infraestruturas em toda a Europa e além", afirmou Samantha Burgess, vice-diretora do Copernicus
Além disso, grande parte da Europa Ocidental, incluindo a Itália, grandes zonas da Europa central e oriental e o sul do Reino Unido registraram condições mais secas do que a média, associadas à persistência de altas pressões e ondas de calor, o que aumentou o risco de seca em partes da Europa de Leste e contribuiu para a ocorrência de incêndios florestais, particularmente na Península Ibérica.