OMS convoca reunião de emergência devido à escalada do surto de Ebola
Um porta-voz do governo da RDC afirmou que os casos estão agora sendo reportados numa área mais vasta do país, abrangendo várias outras cidades
O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, comunicou que será convocado nesta terça-feira (19) o comitê de emergência da agência para o aconselhamento sobre recomendações temporárias em relação ao surto de Ebola, da cepa Bundibugyo, que atinge a República Democrática do Congo (RDC), epicentro da epidemia, e Uganda.
Um porta-voz do governo da RDC afirmou que os casos estão agora sendo reportados numa área mais vasta do país, abrangendo várias outras cidades. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA existem ainda dois casos confirmados e uma morte em Uganda.
Tedros destacou que o episódio não preenche os critérios para ser considerado uma pandemia, no entanto disse estar profundamente preocupado com a escala e a velocidade do atual surto do vírus, que já foi declarado no domingo emergência de saúde pública de interesse internacional pela OMS. Até o momento foram registrados131 mortos e 513 casos suspeitos.
Mas, a agência alertou que o surto pode ser muito maior do que o atualmente detectado e reportado, com um risco significativo de disseminação local e regional.
Hoje também está previsto um encontro de um painel de especialistas liderado pela OMS, para discutir se existem opções de vacinas para ajudar a combater o Ebola, uma vez que não existem ainda vacinas ou tratamentos aprovados para a estirpe bundibugyo. O vírus provoca um tipo grave e potencialmente fatal de infecção hemorrágica viral que danifica os vasos sanguíneos e tem uma taxa de mortalidade que pode chegar até 40%.
No entanto, a vacina Ervebo, fabricada pela Merck, que é usado contra a estirpe Ebola Zaire, demonstrou em estudos com animais alguma proteção contra a estirpe Bundibugyo. A possibilidade de testar esta e outras opções estará na agenda.
"Quando houver um surto com uma estirpe que não tem contramedidas, iremos aconselhar sobre a melhor abordagem a adotar. Analisaremos as provas disponíveis e tomaremos uma decisão", apontou Mosoka Fallah, diretor interino do departamento científico do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África.
De acordo com a OMS, mais de 28.600 pessoas foram infetadas pelo Ebola durante o surto de 2014-2016 na África Ocidental, o maior desde a sua descoberta do vírus em 1976.