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OMS convoca reunião de emergência devido à escalada do surto de Ebola

Um porta-voz do governo da RDC afirmou que os casos estão agora sendo reportados numa área mais vasta do país, abrangendo várias outras cidades

Por Isabel Alvarez

Goma, República Democrática do Congo

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, comunicou que será convocado nesta terça-feira (19) o comitê de emergência da agência para o aconselhamento sobre recomendações temporárias em relação ao surto de Ebola, da cepa Bundibugyo, que atinge a República Democrática do Congo (RDC), epicentro da epidemia, e Uganda.

Um porta-voz do governo da RDC afirmou que os casos estão agora sendo reportados numa área mais vasta do país, abrangendo várias outras cidades. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA existem ainda dois casos confirmados e uma morte em Uganda.

Tedros destacou que o episódio não preenche os critérios para ser considerado uma pandemia, no entanto disse estar profundamente preocupado com a escala e a velocidade do atual surto do vírus, que já foi declarado no domingo emergência de saúde pública de interesse internacional pela OMS. Até o momento foram registrados131 mortos e 513 casos suspeitos.

Mas, a agência alertou que o surto pode ser muito maior do que o atualmente detectado e reportado, com um risco significativo de disseminação local e regional.

Hoje também está previsto um encontro de um painel de especialistas liderado pela OMS, para discutir se existem opções de vacinas para ajudar a combater o Ebola, uma vez que não existem ainda vacinas ou tratamentos aprovados para a estirpe bundibugyo. O vírus provoca um tipo grave e potencialmente fatal de infecção hemorrágica viral que danifica os vasos sanguíneos e tem uma taxa de mortalidade que pode chegar até 40%.

No entanto, a vacina Ervebo, fabricada pela Merck, que é usado contra a estirpe Ebola Zaire, demonstrou em estudos com animais alguma proteção contra a estirpe Bundibugyo. A possibilidade de testar esta e outras opções estará na agenda.

"Quando houver um surto com uma estirpe que não tem contramedidas, iremos aconselhar sobre a melhor abordagem a adotar. Analisaremos as provas disponíveis e tomaremos uma decisão", apontou Mosoka Fallah, diretor interino do departamento científico do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África.

De acordo com a OMS, mais de 28.600 pessoas foram infetadas pelo Ebola durante o surto de 2014-2016 na África Ocidental, o maior desde a sua descoberta do vírus em 1976.