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Irã diz que os EUA querem retomar negociações sobre fim da guerra

A informação foi revelada pelo chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, em Nova Deli

Por Isabel Alvarez

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi

Nesta sexta-feira (15), o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, anunciou que os Estados Unidos comunicaram a Teerã disponibilidade para continuar as negociações sobre o fim da guerra. “Recebemos novamente mensagens da parte dos norte-americanos indicando que estão dispostos a prosseguir as discussões e a manter os contatos”, revelou Araghchi, que se encontra em Nova Deli na reunião do grupo dos BRICS.

Mas, o ministro das Relações Exteriores do Irã também recordou que as negociações sobre o programa nuclear iraniano estavam em curso com Washington quando foi atacado pelos Estados Unidos e Israel. “O último encontro foi no dia 26 de fevereiro. O negociador norte-americano nos disse que havia progressos significativos, mas dois dias depois começaram os ataques”, apontou.

Araghchi destacou que a falta de confiança com os EUA continua sendo o principal obstáculo para avançar nas negociações bilaterais e acusou Washington de enviar mensagens contraditórias sobre o processo diplomático, afirmando que isto dificulta o avanço nas conversações. “O problema mais importante é a desconfiança. Cada dia a mensagem é diferente, e isso é um problema”, afirmou Araghchi durante a coletiva de imprensa na capital indiana.

No entanto, o chanceler sustentou que Teerã permanecendo acreditando que não existe uma saída militar para o conflito e defende a necessidade de manter as negociações. “Não há outra solução que não seja uma solução negociada”, enfatizou.

Mas, segundo a agência de noticias iraniana Tasnim, Araghchi disse que o tema do enriquecimento de urânio não está atualmente na agenda das discussões ou negociações, porém será abordado em fases posteriores. O Irã nega que pretenda construir uma arma nuclear e que o uso é apenas para fins civis, recusando abrir mão do seu estoque.

Araghchi ainda repetiu que o governo iraniano resistirá à pressão ocidental, do mesmo modo que o fez durante décadas sob sanções internacionais. “Resistimos a mais de 40 anos de sanções, mas isso não mudou a nossa determinação”, assinalou.

Enquanto isso, na volta da sua visita à Pequim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que o líder chinês, Xi Jinping, concorda que o Irã não deve possuir armas nucleares, quer a reabertura do Estreito de Ormuz e se ofereceu para ajudar a resolver o conflito. Além disso, o governo chinês se opõe a militarização do Estreito e a qualquer tentativa de cobrar taxas pela sua utilização.

O controle do estreito pelo Irã continua também a ser um dos principais pontos de discórdia nas negociações com os EUA para chegar a um acordo de paz. Em resposta ao impasse do bloqueio quase total imposto pelos iranianos, a Casa Branca determinou manter um bloqueio aos portos iranianos.

A China, parceira diplomática próxima do Irã e a principal compradora do seu petróleo, já apelou hoje pelo regresso as negociações entre Washington e Teerã, alertando para os riscos crescentes no Oriente Médio e a importância estratégica do Estreito de Ormuz e o seu impacto mundial nos mercados. Segundo o governo chinês, o conflito causou desastres na região, trouxe repercussões globais graves e deve ser encontrada uma saída para o final da guerra o mais rapidamente possível.

De acordo com a TV estatal iraniana, o país autorizou a passagem de mais navios pelo Estreito de Ormuz. O canal relatou que somente ontem mais de 30 navios foram autorizados a transitar pela rota nas últimas 24 horas, enquanto a agência de notícias Tasnim indicava a autorização de passagem para várias embarcações chinesas. “Mais navios podem agora passar pelo Estreito de Ormuz com a coordenação das forças navais do Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica. A medida indica que muitos países aceitaram os novos protocolos jurídicos que o Irã e as forças navais dos Guardas da Revolução estabeleceram no estreito de Ormuz”, reportou a mídia.

O parlamento iraniano, além disso, analisa propostas para reforçar o controle sobre a passagem marítima estratégica do Golfo Pérsico.