Endividamento atinge 8 de cada 10 famílias no Brasil, diz CNC
Levantamento mostra que, em outubro de 2026, o percentual de famílias brasileiras endividadas ficou em 81,6, com oscilação negativa de 0,1%, em relação a setembro
Divulgada nesta quinta (5), a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que a maioria dos brasileiros ainda está muito endividada.
O levantamento mostra que, em outubro de 2026, o percentual de famílias brasileiras endividadas ficou em 81,6%.
Ou seja, para cada 10 lares do país, havia mais de oito comprometidos com algum tipo de obrigação financeira a vencer. A pesquisa informa, ainda, que houve uma pequena oscilação negativa de 0,1%, em relação ao levantamento de setembro, que apontou o endividamento de 81,7%.
Segundo a CNC, esse “recuo marginal de 0,1 ponto percentual configura, na prática, “um quadro de estabilidade estatística em patamares historicamente elevados”.
Inadimplência
Também em outubro deste ano, a taxa de inadimplência ficou em 29,3%. Isso mostra a fatia de famílias com contas já em atraso. A pesquisa detectou uma oscilação de 0,3 ponto percentual em relação a setembro de 2026, que teve uma taxa de 29,6%.
Na avaliação do presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a acomodação dos índices não permite a tomada de “conclusões prematuras”. Isso, na avaliação dele, evidencia a “fragilidade do poder de compra da população”.
Tadros ressalta que a “oscilação tímida observada em outubro mostra que o orçamento doméstico segue comprimido e sem fôlego para alavancar o consumo”. A pesquisa aponta ainda que para que a economia voltar a girar de maneira sólida e contínua, o “empresário brasileiro precisa de maior segurança jurídica e previsibilidade”.
Na análise da confederação, é preciso “consolidar uma reforma tributária menos onerosa sobre o setor produtivo, principalmente de serviços, e por prudência em alterações trabalhistas, com prazos de transição mais amenos e realistas diante do fim da escala 6×1”.
Atrasos e renda
O detalhamento da pesquisa revela, também, que as dificuldades de liquidez persistem no cotidiano dos consumidores. O tempo médio de atraso das contas domésticas registrou um “leve recuo” para 65,1 dias (ante 65,3 dias em setembro).
No entanto, esse indicador permanece em patamar elevado, mantendo 48,8% do total de débitos com atrasos superiores a três meses (mais de 90 dias). Além disso, 19,3% dos lares brasileiros continuam com mais da metade de sua renda mensal comprometida exclusivamente com o pagamento de dívidas.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes afirmou que a vulnerabilidade da inadimplência gerada pelo endividamento é ainda mais pronunciada entre as famílias de menor poder aquisitivo.
O estrato que recebe até três salários mínimos registrou aumento nessa taxa de inadimplência em outubro, subindo para 38,6% (contra 38,5% em setembro). Nesse mesmo segmento mais vulnerável, o percentual de famílias que admitem que não terão condições de quitar seus débitos atrasados fechou o mês em 18,3%.
Classe média
O levantamento da CNC aponta um alerta nas famílias com faixa salarial intermediária.
As famílias com rendimentos situados entre cinco e dez salários mínimos apresentaram “expressiva alta do nível de endividamento”.
Esse índice saiu de 77,9% em setembro para 79,3% em outubro. Houve, portanto, um avanço de 1,4 ponto percentual em apenas trinta dias.
O encurtamento do prazo das dívidas também adiciona cautela ao horizonte de curto prazo, segundo a pesquisa. A proporção de compromissos parcelados por períodos superiores a um ano caiu de 33,8% para 33,4%.
Conforme ressalta a análise econômica da pesquisa, prazos menores elevam o peso da amortização mensal nas contas imediatas das famílias, exercendo pressão adicional sobre o orçamento e limitando a propensão a novas compras no comércio e no setor de serviços.