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Renda Renascença de Poção é reconhecida oficialmente com Indicação Geográfica

A técnica artesanal do município do Agreste já é considerada Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco e agora ganha reconhecimento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)

Por Marlon Júlio

Renda renascença de Poção

A renda renascença, técnica artesanal feita com linha, agulha e lacê, do município de Poção, no Agreste, foi reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como a mais nova Indicação Geográfica (IG) do País. Considerado Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) desde julho deste ano, o produto reforça a tradição repassada entre gerações na cidade conhecida como Capital da Renda.

O vice-presidente da Associação dos Artesãos e Artesãs, Rendeiros e Rendeiras de Poção (Renascença), Lindenberg Nóbrega, avalia o reconhecimento como uma forma de preservar a tradição da renda renascença no município. "Poção é o único produtor no mundo da matéria-prima da renda renascença, que é o lacê. Nosso saber é ancestral e tem uma forma única de se fazer, de se criar aqui na cidade. Então, esse reconhecimento do INPI vai fortalecer a cadeia produtiva e o trabalho das rendeiras e rendeiros. Eu costumo dizer que isso é uma reparação histórica em relação às rendeiras que vieram antes de nós. Agora, vamos poder salvaguardar esse saber ancestral tão importante", disse Lindenberg.

O reconhecimento foi concedido pelo INPI após um processo de articulação coordenado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Pernambuco (Sebrae-PE) em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).

O superintendente do Sebrae-PE, Murilo Guerra, ressalta que a Indicação Geográfica favorece o desenvolvimento regional. “Quando um saber construído é preservado ao longo de gerações, passa a ser também um ativo do território. Buscamos criar condições para que essa riqueza gere oportunidades para quem a mantém viva. A Indicação Geográfica agrega valor à renda renascença de Poção e amplia as possibilidades de desenvolvimento para toda a região”, afirma.

A origem da renda renascença é atribuída à Itália, datada do século XVI. No Brasil, acredita-se que a técnica tenha chegado também por meio de ordens religiosas. A técnica chegou ao município do Agreste na década de 1930, por meio de Maria Pastora, que aprendeu o ofício com freiras francesas em Olinda e ensinou à amiga Elza Medeiros ao visitar Poção em 1934. A partir de um núcleo inicial de oito mulheres, surgiu na cidade o primeiro grupo dedicado à renda renascença.

Durante períodos de seca, o produto começou a ser difundido como uma alternativa econômica, principalmente para as mulheres. Ao longo do século XX, a produção cresceu e também passou a abastecer mercados regionais, ressignificando o produto que antes era visto como artigo de luxo.

Em Pernambuco, a Indicação Geográfica já foi concedida ao Porto Digital e à produção de vinhos, uvas de mesa e mangas do Vale do Rio São Francisco, segundo lista disponível no site oficial do INPI. Ao todo, 158 produtos brasileiros já obtiveram o reconhecimento.

O Sebrae-PE e a Adepe trabalham para o reconhecimento de mais 18 produtos:


- Mel do Sertão do Araripe;
- Queijo coalho do Araripe;
- Carne ovina do Sertão do São Francisco;
- Manga do Vale do São Francisco;
- Uva do Vale do São Francisco;
- Café de Triunfo;
- Artesanato em madeira de Sertânia;
- Café de Taquaritinga do Norte;
- Abacaxi de Pombos;
- Artesanato em barro de Tracunhaém;
- Artesanato em barro do Alto do Moura;
- Queijo coalho do Agreste;
- Bolo Souza Leão de Pernambuco;
- Bolo de rolo Pernambucano;
- Bolo de noiva Pernambucano;
- Redes de Tacaratu;
- Bordado de Passira; e
- Cachaça de Pernambuco.