Endividamento pressiona famílias e empresas e eleva riscos para o crédito, diz BC
Selic em 14% ao ano aumenta custo das dívidas e contribui para a alta da inadimplência. Autoridade monetária prepara medidas para tornar a oferta de crédito mais sustentável
A situação financeira de famílias e empresas no Brasil segue pressionada junto à taxa básica de juros (Selic) de 14%, segundo avaliação do Banco Central (BC) divulgada pela ata de reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) nesta quarta-feira(2). O cenário de crédito mais caro ocorre em meio ao aumento do endividamento das famílias, à elevação da inadimplência e a sinais de maior pressão das despesas financeiras sobre as empresas.
Para as famílias, o nível de endividamento e o comprometimento da renda atingiram patamares historicamente elevados. O avanço do uso de modalidades de crédito mais caras contribui para aumentar o custo das dívidas e dificulta a capacidade de pagamento dos consumidores.
O BC também observa uma deterioração em parte dos indicadores financeiros das empresas. Embora a maior parte das companhias ainda demonstre resiliência, diminuiu o número de empresas que registraram aumento do lucro líquido, enquanto cresceu a quantidade de companhias com maiores despesas financeiras.
A autoridade monetária avalia que o risco relacionado ao crédito empresarial deve permanecer elevado. A combinação entre juros altos e aumento dos custos financeiros pode pressionar os resultados das companhias e, em alguns casos, comprometer sua capacidade de honrar dívidas.
Nesse cenário, o BC prepara medidas para reduzir os riscos associados ao crédito caro. A estratégia prevê um acúmulo gradual de capital e a criação de condições mais sustentáveis para a oferta de crédito a famílias e empresas.
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