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Estudo da Fecomércio avalia que Pernambuco pode perder mais de 49 mil empregos com o fim da escala 6x1

Entidade defende que mudanças na jornada de trabalho sejam votadas apenas após as eleições

Por João Tavares

Representantes da Fiepe, Faepe e Fetracan durante o encontro nesta segunda-feira (31)

Pernambuco pode perder 49.866 postos de trabalho, o equivalente a 4% dos empregos, caso a jornada semanal seja reduzida de 44 para 40 horas, mantendo os salários. A estimativa faz parte de um estudo apresentado pelo Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE sobre os possíveis impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1.

Em um segundo cenário analisado, que considera o pagamento de hora extra pelo trabalho no sexto dia, a projeção é ainda maior: 71.308 postos de trabalho a menos, uma redução de 5,7%.

Estudo aponta impactos sobre renda e consumo

O levantamento aponta que Pernambuco tinha 2,09 milhões de vínculos formais ativos em dezembro de 2025, sendo que cerca de 1,24 milhão de trabalhadores atuavam em jornadas superiores a 40 horas semanais. No comércio de bens, serviços e turismo, 860.381 trabalhadores estavam formalmente submetidos à escala 6x1.

No cenário de pagamento de hora extra pelo sexto dia, o estudo estima uma redução de R$ 183 por mês na renda do trabalhador, com impacto anual de R$ 2,74 bilhões na massa salarial e de R$ 2,33 bilhões no consumo. A arrecadação de INSS, FGTS e IRRF poderia sofrer uma redução de R$ 1,26 bilhão por ano.

A entrevista coletiva também reuniu representantes da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Pernambuco (Faepe) e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (Fetracan).

Fecomércio-PE defende cautela na votação

O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac-PE, Bernardo Peixoto, afirmou que uma eventual mudança na jornada precisa ser discutida com cautela, considerando os efeitos sobre empresas, trabalhadores e consumidores.

“É preciso discutir esse tema com muita cautela, porque qualquer mudança na jornada de trabalho provoca impactos diretos sobre os custos das empresas, a geração de empregos e os preços para o consumidor. Defendemos que esse debate seja conduzido com responsabilidade, ouvindo trabalhadores e empregadores e considerando as particularidades de cada atividade econômica”, afirmou.

O posicionamento faz parte de uma mobilização nacional liderada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que defende que a proposta não seja votada antes das eleições. Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, a campanha pede uma discussão mais ampla sobre os efeitos da mudança.

A CNC defende que eventuais alterações nas jornadas sejam discutidas por meio de convenções e acordos coletivos, levando em consideração as características de cada setor e região.

“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

A PEC que trata do fim da escala 6x1 está em discussão no Congresso Nacional e prevê alterações nas regras constitucionais relacionadas à jornada de trabalho e aos períodos de descanso.