Oferta de imóveis usados cai 35,7% em Pernambuco e dificulta compra da casa própria
Aumento dos custos na construção civil do estado e da mão de obra são apontados como principais motivos para o aumento da procura por imóveis usados
Encontrar um imóvel para comprar em Pernambuco ficou mais difícil. Em um ano, a oferta de imóveis usados disponíveis para venda no estado caiu 35,7%, reduzindo as opções para quem busca a casa própria e aumentando a concorrência pelos imóveis mais bem localizados e com documentação regular.
Levantamento encomendado pelo Sindicato da Habitação de Pernambuco (Secovi-PE) mostra que o estoque de imóveis usados à venda passou de cerca de 81,2 mil unidades, em maio de 2025, para aproximadamente 52,2 mil em maio deste ano. Na prática, quase 29 mil imóveis deixaram de estar disponíveis para comercialização no período.
Segundo o corretor de imóveis e conselheiro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Pernambuco (Creci-PE), José Carlos de Mello, a redução da oferta é resultado de uma combinação de fatores que vem remodelando o mercado imobiliário. Entre eles, estão o aumento dos custos da construção civil, a valorização dos terrenos, o encarecimento da mão de obra e os sucessivos reajustes dos materiais de construção.
"Enquanto a demanda segue aquecida, impulsionada por famílias em busca da casa própria e por investidores que enxergam no imóvel uma forma segura de preservar e ampliar patrimônio, os custos da construção civil continuam pressionando os preços dos novos empreendimentos. Com isso, cresce a procura por imóveis usados", afirma.
Na avaliação do especialista, a maior disputa pelas melhores oportunidades acaba impulsionando a valorização dos imóveis disponíveis no mercado.
Os dados também mostram que a retração foi mais intensa no segmento de venda. Enquanto a oferta de imóveis para compra recuou mais de um terço em doze meses, a disponibilidade de imóveis para locação apresentou uma redução mais moderada.
Esse movimento, segundo Mello, já é percebido na rotina do setor. "Imóveis bem localizados, com características valorizadas pelo mercado e preços compatíveis com a realidade da região permanecem cada vez menos tempo anunciados. Em muitos casos, as negociações são concluídas rapidamente, reduzindo ainda mais o estoque disponível", analisa.
Para os proprietários, o cenário de demanda aquecida e oferta limitada favorece a valorização dos imóveis. Por outro lado, o especialista avalia que o principal desafio será ampliar a oferta para evitar um desequilíbrio ainda maior entre compradores e vendedores.
"O incentivo a novos empreendimentos, a ampliação do crédito imobiliário e a redução da burocracia nos processos de aprovação serão fundamentais para equilibrar a relação entre oferta e demanda e garantir um crescimento sustentável do setor", conclui.
Recife recua 21% na oferta de imóveis novos no primeiro trimestre
Em relação à venda de imóveis novos, o cenário contrasta entre o Recife e cidades a Região Metropolitana.
Dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) apontam que, no primeiro trimestre do ano, o Recife registrou um recuo de 25% em empreendimentos verticais lançados, enquanto no acumulado de municípios da RMR houve alta de 50% em relação ao mesmo período de 2025.
No recorte das unidades lançadas, a capital do estado teve retração de 21% no indicador trimestral, com o lançamento de 1.142 unidades. No cenário macro da Região Metropolitana, foram lançadas 1.905 unidades novas foram disponibilizadas, alta de 67% na comparação anual.