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Recifense precisou trabalhar 83 horas para comprar cesta básica em fevereiro, aponta Dieese

Com custo de R$ 611,98, cesta básica compromete cerca de 40,8% do salário mínimo no Recife

Por Milena Galvão

Mercado

O custo da cesta básica no Recife chegou a R$ 611,98 em fevereiro de 2026, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Para adquirir os produtos considerados essenciais, um trabalhador que recebe salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 83 horas e 4 minutos no mês.

Considerando uma jornada padrão de 8 horas por dia, esse tempo corresponde a aproximadamente 10 dias e meio de trabalho apenas para garantir a compra da cesta básica.

Em janeiro de 2026, eram necessárias 81 horas e 26 minutos de trabalho. Já em fevereiro de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518, o tempo necessário era maior: 90 horas e 38 minutos.

O estudo também mostra o impacto direto desse custo no orçamento das famílias. Após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o trabalhador precisou comprometer 40,81% do salário mínimo líquido para comprar a cesta básica. No mês anterior, esse percentual era de 40,02%, enquanto em fevereiro de 2025 representava 44,53% da renda líquida.

Ainda segundo o levantamento, o custo da cesta básica no Recife registrou alta de 1,98% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro.

Apesar da elevação mensal, o valor ainda é menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Na comparação com fevereiro de 2025, quando os produtos estavam mais caros, houve queda de 2,13%. Já no acumulado de 2026, entre dezembro de 2025 e fevereiro deste ano, o custo da cesta básica subiu 2,66%.

Produtos que mais subiram

Entre janeiro e fevereiro de 2026, cinco dos 12 itens que compõem a cesta básica tiveram aumento no preço médio. O destaque foi o tomate, que registrou a maior alta do período, com 24,06%.

Também apresentaram aumento:

Feijão carioca: 10,18%

Farinha de mandioca: 1,64%

Carne bovina de primeira: 1,11%

Leite integral: 0,35%

Itens que ficaram mais baratos

Por outro lado, sete produtos registraram queda de preço no período analisado. A banana teve a maior redução, com recuo de 9,95%.

Também ficaram mais baratos:

Arroz agulhinha: -3,19%

Café em pó: -1,65%

Pão francês: -1,46%

Óleo de soja: -1,33%

Açúcar cristal: -0,75%

Manteiga: -0,38%

Variação em 12 meses

No acumulado dos últimos 12 meses, cinco alimentos tiveram aumento de preço. O café em pó lidera a alta, com 18,36%, seguido por:

Feijão carioca: 13,89%

Carne bovina de primeira: 7,42%

Farinha de mandioca: 5,80%

Pão francês: 3,05%

Por outro lado, alguns itens ficaram significativamente mais baratos no período. O arroz agulhinha teve a maior queda, com -31,84%, seguido por:

Tomate: -23,72%

Açúcar cristal: -10,38%

Leite integral: -8,97%

Óleo de soja: -2,13%

Manteiga: -1,59%

Banana: -1,52%

Ranking nacional

De acordo com o levantamento do Dieese, o Recife ocupa a 24ª posição entre as capitais brasileiras no ranking de tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica. Isso significa que, em comparação com outras cidades do país, o trabalhador da capital pernambucana precisa de menos horas de trabalho do que em grande parte das capitais para adquirir os produtos essenciais.