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Bloqueio de contas do Will Bank não suspende cobrança de faturas; entenda

Apesar do bloqueio dos recursos após a liquidação, clientes continuam legalmente obrigados a quitar faturas e dívidas, com risco de inadimplência e negativação do CPF

Por Correio Braziliense

Até o momento, não há previsão de quando o dinheiro será liberado

A liquidação do Will Bank pegou de surpresa clientes que mantinham dinheiro em contas de pagamento, muito usadas para o recebimento de salários. Apesar de não terem acesso aos recursos, eles continuam legalmente obrigados a pagar faturas de cartão de crédito, empréstimos e compras parceladas, sob risco de inadimplência e negativação do CPF.

Até o momento, não há previsão de quando o dinheiro será liberado. A devolução dependerá de um processo conduzido pelo liquidante nomeado pelo Banco Central (BC), sem qualquer garantia de prazo.

Ao contrário de depósitos bancários tradicionais, as contas de pagamento não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege apenas depósitos à vista, poupança, a prazo (CDB e RDB) e letras de crédito imobiliário e do agronegócio.

O BC destaca que os recursos mantidos exclusivamente em contas de pagamento devem permanecer segregados do patrimônio da instituição. Na prática, isso significa que o dinheiro não integra a massa falida e será restituído aos clientes conforme os critérios, prazos e procedimentos definidos pelo liquidante.

Até o fim de setembro, o Will Bank mantinha R$ 49,6 milhões em contas de pagamento pré-pagas, segundo dados do BC, ampliando o impacto financeiro para usuários que dependem do dinheiro para despesas do dia a dia.

Nas redes sociais do Correio Braziliense, clientes do Will Bank expressaram indignação e preocupação com a falta de acesso aos recursos. “Quero meu dinheiro que está dentro, e é nosso direito. Conquistamos trabalhando. Então se virem e nos deem o que é nosso por direito”, escreveu uma correntista. Uma usuária relatou: “Quero meu dinheiro, suado que trabalhei. E eles pegaram sem nem explicar nada. Agora estou precisando do dinheiro e não tenho o que é meu”.

Nome negativado


Apesar de os clientes não terem mais acesso ao dinheiro que mantinham no banco, eles não estão isentos do pagamento das faturas. A liquidação não cancela as dívidas, quem tinha faturas em aberto ou compras parceladas continua obrigado a pagar normalmente, sob risco de ter o nome negativado.

Segundo a Serasa, independentemente da situação do banco, os clientes continuam legalmente obrigados a cumprir seus compromissos financeiros. “Faturas de cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e outras dívidas devem ser pagas normalmente. O não pagamento pode gerar juros, multas e levar à inadimplência, com risco de negativação do CPF”, informou.

O episódio também despertou revolta entre correntistas que tiveram recursos bloqueados e ficaram impossibilitados de usar o dinheiro para honrar compromissos. “Simplesmente não vou pagar as faturas. Vai sujar meu nome, problema não. No prejuízo eu não fico. São quase R$ 7 mil na caixinha”, escreveu um cliente em comentário em publicação do Correio.

O FGC estima que o total de recursos a serem desembolsados a investidores elegíveis no conglomerado chegue a R$ 6,3 bilhões. No entanto, clientes que já atingiram o limite de garantia no Banco Master, liquidado em novembro, não terão direito a valores adicionais.

O responsável pela condução do processo de liquidação é Eduardo Félix Bianchini, o mesmo liquidante designado para o Banco Master, controlador do Will Bank. O Banco Central orienta que os clientes acompanhem exclusivamente as comunicações oficiais do liquidante e da instituição em liquidação, que irão detalhar prazos, procedimentos e canais de atendimento para a restituição.

As informações são do Correio Braziliense.