Travessia do prefeito do Recife para o MDB no radar
Articulações de bastidores indicam possível saída de Victor Marques do PCdoB com vistas à disputa municipal de 2028. Algumas variáveis estão sendo estudadas. Ele é o único gestor de Capital do PCdoB
Algumas etapas precisavam ser vencidas. Entre elas, aguardar o resultado da eleição presidencial. A posição que o ex-prefeito do Recife, João Campos, terá a partir de agora também conta na construção do projeto de reeleição do prefeito Victor Marques.
Ultrapassada a corrida pelo Planalto, algumas peças começam a se mexer no tabuleiro de forma mais dirigida ao cenário local e em sintonia, desde já, com 2028. Uma das movimentações no radar é uma provável travessia de Victor para o MDB.
A possibilidade é tida como “plausível” nas hostes emedebistas. Neutra no primeiro turno, a sigla, presidida nacionalmente por Baleia Rossi, se dividiu no segundo turno. Mas um detalhe pesa: dos diretórios estaduais do Nordeste, só o Rio Grande do Norte não apoiou a reeleição do presidente Lula.
Essa flexibilidade é aferida para a decisão. O tamanho da legenda é outra variável considerada nessa equação. Leia-se: o tempo de TV importa. Em Pernambuco, o MDB é presidido pelo secretário de Relações Institucionais da Prefeitura do Recife, Raul Henry, que tem uma relação estreita e de confiança com o PSB e com o próprio Victor, além de também desfrutar de boa interlocução com Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB.
Victor Marques é o único prefeito de Capital do PCdoB, sigla também aliada de primeira hora do PSB. Mas o PCdoB integra uma federação com o PT e PV. E os petistas também têm nomes ventilados para o páreo da disputa municipal. Além da deputada estadual Dani Portela, não se descarta o nome do deputado estadual João Paulo como alternativa.
Nas hostes comunistas, qualquer movimento é visto com cautela, para evitar precipitações, já que há tempo para as articulações evoluírem. O cenário com Lula presidente e João Campos na iminência de ser ministro abre possibilidades, inclusive em relação aos partidos com potencial de estarem sob o guarda-chuva do Governo Federal.
Há legendas, por sua vez, de olho na probabilidade de filiarem o prefeito do Recife. Ou, no mínimo, admitindo que ele seria muito bem-vindo, caso do Republicanos, por exemplo. No entanto, ainda que, no Estado, a sigla tenha tido liberdade para definir suas alianças, nacionalmente, no segundo turno, apoiou o projeto de Flávio Bolsonaro e tem o governador de São Paulo ainda, Tarcísio de Freitas, como nome potencial para 2030.
Nos bastidores do conjunto capitaneado por Victor Marques, se avalia que há “caminhos possíveis”. Entre as variáveis em análise, um partido com tempo de TV considerável pesa, além da garantia de que Victor possa presidir o diretório municipal, o que é passível de se costurar com o MDB. O que está em jogo, agora, é arrumar a travessia e, naturalmente, há etapas ainda a serem vencidas.
Voo de Isabella para o Pipa
Primeira mulher eleita vice-prefeita do Recife, primeira eleita vereadora da Capital pelo PDT, Isabella de Roldão já conversou com o prefeito Victor Marques e entregou o cargo. Ela se despede, hoje, da gestão municipal após 16 anos dedicados à política. De malas prontas para o Instituto Pipa, focado na primeira infância, ela cumpre, nesta quinta (29), seu último dia na Secretaria de Trabalho e Qualificação Profissional. “A vida não erra o CEP”, celebra ela, feliz pelo novo ciclo. “Se chega para você, é para você”, confia Isabella.
Spoiler
O Instituto PIPA atua de forma integrada, conectando famílias, políticas públicas, empresas e territórios para acelerar a transformação social através da primeira infância. Isabella já atuou na área. “A política é um ciclo que se encerra, hoje, na minha vida”, avisou Isabella em vídeo postado no seu Instagram. “Novos projetos estão acontecendo chegando e desejo me entregar”, introduziu em sua rede social, nesta quarta-feira (28), sem informar ainda o destino, que, como a coluna apurou, é o Pipa.
Horizonte
Presidente nacional do PSB, João Campos segue para Brasília, nesta quinta-feira (29), onde terá reunião do partido. Após o pleito, costuras partidárias, que ficaram pendentes antes da corrida eleitoral, devem ser retomadas. O movimento inclui diálogo com outras siglas e eventuais construções como fusão ou federação.
Diálogos
Na Capital Federal, a ex-ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima, primeira mulher a comandar a pasta, foi à mesa com o deputado federal pernambucano Lula da Fonte. O progressista a recebeu, na terça-feira (27), em seu gabinete para troca de impressões nesse day after da corrida eleitoral.