° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Reta final: João Campos vai a debate e ato de Gaspar em Pernambuco é cancelado

Após a dimensão que tomou o Bloquinho 22, surpreendendo até integrantes do PL, a carreata deste sábado acabou cancelada. Presidente nacional do PSB seguiu para o Rio de Janeiro, mas retorna. Teresa Leitão viaja para acompanhar apuração com Lula

Por Renata Bezerra de Melo

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam no último debate antes do segundo turno das eleições gerais de 2026.

Na tarde de ontem, o presidente nacional do PSB, João Campos, se dirigia para o Cabo, onde participaria de ato em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi convocado para comparecer ao debate da TV Globo, acompanhando o mandatário do Planalto.

O evento na cidade do Litoral Sul, organizado pelo prefeito Lula Cabral, estava marcado para as 18h13. Pouco antes disso, o ex-prefeito do Recife, que já se encontrava na estrada, retornou do meio do caminho e providenciou um voo, na última hora, para embarcar para o Rio de Janeiro, rumo aos Estúdios Globo. Chegou a tempo.

Já na campanha de Flávio Bolsonaro em Pernambuco, também nesta sexta-feira (23), acabou cancelada a carreata que seria liderada pelo candidato a vice de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar, em Jaboatão dos Guararapes. Um dia depois de o Bloquinho 22 ter tomado, no Recife, uma dimensão que surpreendeu até os integrantes do PL, se avaliou na legenda que já não faria mais tanto sentido engatar em um ato que não reproduziria o mesmo alcance já no “day after”.

Por outro lado, Gaspar também teria sinalizado, aos aliados no Estado, que iria participar, ao lado de Flávio, da preparação do debate marcado para a noite. Para o domingo (25) da eleição, os aliados pernambucanos do candidato do PL ainda não tinham, até esta sexta (23), definido uma programação. Farão uma maratona de carreatas neste sábado (24), que começa no Recife, passando por Igarassu, Caruaru e se encerrando em Santa Cruz do Capibaribe.

Na base do presidente Lula, a programação começa cedo no dia do pleito. Há um café da manhã, programado pelo presidente estadual do PT, Carlos Veras, que coordena a campanha de Lula no Estado. Vai ser no restaurante Olegária, às 8h30 e vai reunir, além de João Campos, o senador Humberto Costa, a senadora eleita Marília Arraes, petistas e integrantes de partidos aliados que integram “a tropa de Lula”. De Pernambuco, quem viaja, no domingo, após votar pela manhã, para acompanhar a apuração ao lado do presidente Lula, em São Paulo, é a líder do governo no Senado, Teresa Leitão.

Entrelinhas 1

Foi idealizado pelo deputado federal reeleito do Ceará, André Fernandes, o Bloquinho 22, uma das principais estratégias da campanha de Flávio Bolsonaro no 2º turno. O formato surgiu durante a campanha de 2024, quando André disputava a Prefeitura de Fortaleza. E foi na capital cearense que o presidenciável do PL cumpriu o último ato de campanha no Nordeste na última quarta (21). Um dia depois, no Recife, a mobilização foi liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que definiu o ato como “a maior manifestação de toda a história do Nordeste”. A fala do mineiro gerou ciumeira internamente, segundo integrantes do PL.

Entrelinhas 2

“Eu vou dar um recado para vocês aqui, escuta, me escuta, é importante: ´Vocês , hoje, estão fazendo a maior manifestação de toda a história do Nordeste”, destacou Nikolas Ferreira aos milhares de eleitores, presentes em Boa Viagem, que vibraram. O espaço que ele assumiu à frente do movimento estaria despertando olhares atravessados dos próprios correligionários. Nas coxias, se aponta até reação de Carlos Bolsonaro.

Colete

Assim que chegou em Pernambuco, Nikolas Ferreira trocou de camisa ainda no hangar, onde aliados do PL pernambucano, como Mendonça Filho, Anderson Ferreira e Gilson Machado, o aguardavam. Antes de deixar o aeroporto em direção à Pracinha de Boa Viagem, vestiu um coleto à prova de balas.

Outros

Ao chegar aos Estúdios Globo, nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser indagado sobre sua expectativa, declarou: “Sou muito mais futuro para esse País do que miliciano”. Não citou o nome de Flávio Bolsonaro, assim como o fez ao longo do debate, apenas se referindo ao candidato do PL, como "adversário". Os dois postulantes adotaram tom bem mais propositivo do que na Band. Durante o confronto, o petista reagiu a deboche sobre seus nove dedos e Flávio de desculpou. O Nordeste foi à pauta e Flávio prometeu concluir a Transnordestina para escoar a produção até o Porto de Suape, em Pernambuco, e até o Porto do Pecém, no Ceará. Lula indagou o adversário sobre a correção do salário mínimo acima da inflação, uma das principais bandeiras da campanha petista. Quis saber quanto seria o salário, hoje, sem a política de valorização implementada pela gestão do PT, Flávio desconversou. 

Ginástica

Flávio Bolsonaro voltou a negar cortes em salário mínimo e aposentadoria: “Eu vou reajustar as aposentadorias acima da inflação". Mas seguiu sem detalhar como promoverá o ajuste fiscal de R$ 200 bilhões previsto pela equipe econômica de sua campanha.

Indecisas

As mulheres estavam no radar, em função do potencial de crescimento que pode residir nessa fatia do eleitorado. Não à toa, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre posição contrária à ampliação da licença-maternidade, enquanto deputado no Rio de Janeiro, Flávio admitiu ter errado na ocasião. O caso Ana Clara, cuja mãe estava na plateia, foi à pauta. Entre as mulheres, o percentual de indecisas saltou de 8% para 17%, segundo a pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira (21). Esse percentual estava no foco da campanha do petista. O mandatário do Planalto ainda citou Déa Lúcia, mãe do ator Paulo Gustavo, que morreu de Covid-19, lembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro ironizou os efeitos colaterais dos imunizantes, sugerindo que quem tomasse poderia virar jacaré.