Lula e Flávio chegam ao debate "em cima do fio da navalha"
"Por isso a gente está pedindo VAR do debate, pedindo quebra de sigilo, numa linha de desmontar muitas variáveis que pesavam contra nós", assinala a ministra de Ciência e Tecnologia sobre o trabalho da campanha do PT de ir "limpando o terreno". Bolsa de apostas no PL dá conta de quatro pontos de vantagem
“Se Lula tivesse passado na frente, mesmo apertado, no primeiro turno, não teria havido uma reação tão forte”. A análise é da ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, que tirou férias na última terça-feira (20) para se dedicar integralmente à reta final da campanha. A leitura diz respeito ao que ela define como uma “contra-onda” traçada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rumo ao próximo domingo (25), considerando que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente do petista, com 47,03% (56.104.503 votos), enquanto o mandatário do Planalto contabilizou 45,16% (53.879.538 votos).
Com base nessa fotografia, o plano traçado para este segundo turno, define Luciana, foi o de ir “limpando o terreno”. Isso passa por reduzir a rejeição. Ontem, a penúltima pesquisa Datafolha, divulgada antes do segundo turno, indicou uma oscilação de um ponto percentual para baixo na rejeição de Lula, que ficou em 45% (tinha 46%), enquanto a de Flávio oscilou dois pontos para cima, chegando em 46% (tinha 44%).
Nos votos válidos, Flávio e Lula, aparecem numericamente empatados, com 50%. É, assim, em pé de igualdade, que eles chegam ao último debate presidencial, marcado para esta sexta-feira (23) pela TV Globo. “Pode dar qualquer coisa no domingo. Estamos em cima de um fio de navalha”, avalia, à coluna, o presidente do MDB-PE, Raul Henry. Reafirmar os programas do governo e anunciar novas conquistas são parte da contraofensiva da campanha petista para hoje.
“Por isso a gente está pedindo VAR do debate, pedindo quebra de sigilo, numa linha de desmontar muitas variáveis que pesavam contra nós. Você vai limpando o terreno”, argumenta, à coluna, Luciana Santos. Na campanha de Flávio Bolsonaro, há uma bolsa de apostas dando conta de que ele leva a disputa com quatro pontos de vantagem.
Além de Mendonça Filho, que coordena a campanha do presidenciável do PL em Pernambuco, o deputado federal André Ferreira faz a mesma projeção: “Eu acredito que Flávio vai ter quatro pontos na frente de Lula fácil”. Para Raul Henry, o placar “vai depender muito da abstenção”, citando outra variável considerada também pelo PT a ser enfrentada.
Na estimulada do Datafolha, Flávio Bolsonaro aparece com 47% (tinha 47%) das intenções de voto, e Lula tem 46% (tinha 45%), representando um empate técnico. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Ao enfrentamento desta sexta na TV Globo, então, eles chegam empatados tecnicamente até na rejeição e nivelados ainda sobre a quebra de sigilo proposta pelo presidente Lula no último domingo (18), que acabou pautando a semana. Se 94% dos entrevistados pelo Datafolha estão decididos, há 6% ainda que podem mudar e passíveis de serem convencidos, hoje, se os candidatos não se resumirem a falar para convertidos como ocorreu na Band.
Turista
Ao ser recebido no Recife, nesta quinta (22), o deputado federal Nikolas Ferreira ouviu o vereador e deputado estadual eleito, Gilson Machado Filho, avisar: “Hoje é o Galo da Madrugada da direita em Pernambuco!”. Deputado federal eleito, Gilson Machado enfatizou: “Hoje vai dar mais gente do que no Galo!”. Surpreso, o mineiro devolve: “O que que é isso?!” Os aliados explicam que é o maior bloco de Carnaval do mundo e Nikolas grifa: “Eu nem conheço!”. O deputado, que superou 3 milhões de votos se tornando mais votado da história da Câmara Federal, viralizou recentemente o vídeo "O Nordeste que foi esquecido” e tem repisado o jargão "O Nordeste acordou" em críticas ao governo Lula. Ontem, na capital pernambucana, voltou a recorrer ao mote de defesa da região. O evento de ontem, segundo a organização, reuniu mais de 100 mil pessoas.
Réplica
“Tentaram calar o Nordeste, mas nem petista, nem artista, nem ninguém vai calar o Nordeste. Porque o Nordeste acordou”, afirmou Nikolas ao discursar em Boa Viagem. As abordagens do mineiro tem provocado reações de aliados do presidente Lula nas redes sociais. Deputado federal mais votado em Pernambuco, Pedro Campos enumerou, em vídeo publicado em seu Instagram, projetos em que Nikolas votou contra a região, afirmando que ele "não tem moral nenhuma para usar o povo nordestino para isso que ele fez". O socialista emenda: "Sabe por que? Porque ele já votou contra o povo do Nordeste várias vezes”. Pedro cita posições de Nikolas contrárias à MP do Programa Gás do Povo, a incentivo para o setor automotivo do Nordeste, realçando que a votação foi perdida por um voto, e à MP referente à redução da conta de luz.
Tréplica
No Recife, ontem, Nikolas Ferreira dirigiu provocações ao ex-prefeito do Recife João Campos, irmão de Pedro, puxando um coro de “desempregado" contra o socialista, que perdeu a disputa pelo Governo do Estado para Raquel Lyra. Pedro tachara Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira de "inimigos do Nordeste" e alfinetou: "Eles vêm aqui de quatro em quatro anos no jatinho de Vorcaro".
Déjà vu
Líder da bancada do PCdoB na Câmara Federal, Jandira Feghali acompanha o presidente Lula no debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23). Não é a primeira vez que a comunista cruza o caminho de Flávio Bolsonaro. Há 10 anos, coube a ela iniciar um socorro a ele em situação inusitada: então candidato a prefeito do Rio de Janeiro, durante um debate da Band, ele passou mal no palco e desmaiou. Jandira, que é médica, e também estava na condição de candidata, tentou prestar assistência médica, mas acabou impedida por Jair Bolsonaro.
Volta para o futuro
A emissora chamou o intervalo e, na volta, após Flávio deixar o debate em função de mal-estar, Jandira relatou os bastidores ao vivo: “Eu fui atender como médica, e o pai dele disse que não precisava dos meus cuidados. A solidariedade não faz parte desse grupo fascista".
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