Nome de ministro da Segurança em mente. Planos da PEC e do ministério adiados
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre adiou a votação para depois do segundo turno. Ao SBT News, Lula condicionou: "Na hora que for aprovada essa PEC, nós vamos criar o Ministério da Segurança Pública"
“Não tenho o ministério ainda, por isso não tenho o ministro. Mas eu tenho na cabeça quem eu quero.” A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita na noite desta segunda-feira (19), durante sabatina do SBT News, faz referência ao Ministério da Segurança Pública, que, até poucos dias atrás, figurava como uma proposta do governo a ser consolidada antes do segundo turno. O plano parece ter esbarrado no impasse que se deu em torno de emendas referentes à maioridade penal, cujo pano de fundo é a disputa pela Presidência da República entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Na mesma sabatina, o mandatário do Planalto declarou: “Preciso da PEC para criar Ministério da Segurança Pública”. Mas sinalizou que, agora, a consolidação da nova pasta deve ficar para depois do pleito, a ser realizado no próximo domingo (25). Até a última sexta-feira (16), o PT ainda estudava como proceder em relação à PEC da Segurança, retirada de pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na última quinta-feira (15), após o líder do PT no Senado, Camilo Santana, apresentar emenda defendendo a redução da maioridade penal, no caso de crimes hediondos, para 16 anos.
Nesta segunda-feira (19), nas hostes petistas, o entendimento havia sido pacificado. “Vai ficar pra depois das eleições”, informou, à coluna, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão. Alcolumbre comunicou a ela, ontem, que adiaria a votação para depois do segundo turno, a fim de evitar que o assunto fosse usado eleitoralmente.
Alcolumbre, que perdeu a eleição no Amapá e pode enfrentar o coordenador da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, na disputa pela presidência do Senado, tem dirigido gestos ao governo nos últimos dias. Foi de Rogério Marinho a emenda que propôs reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em determinados crimes.
Lula preferia acelerar a tramitação, pretensão que seria prejudicada pela análise de emendas. Em entrevista à TV Globo, na última quinta-feira (15), Lula se declarou favorável à redução da maioridade penal para 16 anos. No entanto, fez uma ressalva: disse que o debate precisa ser feito, mas “não nessa PEC”. Ontem, durante a sabatina do SBT News, ao ser indagado sobre a maioridade penal, sinalizou ter solicitado a Camilo que agisse: “A extrema direita queria colocar 14 anos. E eu pedi para que meu líder colocasse a questão dos 16 anos para crimes hediondos”.
Ainda sobre o tema da segurança, explicou: “Por que é que eu mandei uma PEC da segurança? Para definir qual é o papel da União na questão da segurança pública”. Definiu a proposta como uma “espécie de SUS da segurança” e ressaltou que “quem cuida da segurança pública nesse país são os estados, o que foi decidido na Constituição de 1988”.
Lula, então, condicionou: “Na hora que for aprovada essa PEC, nós vamos criar o Ministério da Segurança Pública”. Também cravou: "Qualquer que seja o resultado das eleições, aprovada a PEC, eu vou criar o ministério". Agora, só depois do segundo turno.
Ponte aérea
Presidente nacional do PSB, João Campos, que acompanhou o presidente Lula no debate da Band, neste domingo (18), retornou ao Recife, nesta segunda-feira (19) para encontro dos partidos aliados voltado à mobilização de rua na reta final do segundo turno. Ontem mesmo, ele embarcou para o Maranhão. O socialista acompanha o presidente da República em ato naquele Estado, nesta terça-feira (20), antes de seguirem para a Bahia, onde iniciam agenda, em Juazeiro, que se encerra em Petrolina, como a coluna antecipou.
“Cruzada”
A previsão é de que o ato comandado por Lula, em Pernambuco, nesta terça-feira (19), se encerre por volta das 18h. A concentração, em Juazeiro, onde a caminhada tem início, está marcada para as 14h. A programação consiste em cruzar a ponte que liga Juazeiro a Petrolina.
Padrão
Foi a torcida organizada do Central que presenteou o presidente do PL-PE, Anderson Ferreira, com a camisa do time, verde e amarela, que o dirigente usou no Bloquinho 22, em Caruaru, no último sábado (17). O ato, que mobilizou eleitores do presidenciável Flávio Bolsonaro na capital do Agreste, se repete no próximo sábado (24). Havia expectativa, mas Flávio não deve vir a Pernambuco mais antes do domingo. Os atos de apoio a ele serão puxados por aliados.
Convergência
Se tem um ponto em que aliados dos presidenciáveis Flávio Bolsonaro e Lula convergiram, do domingo para segunda, foi que ambos, durante o debate promovido pela Band no último domingo (18), “falaram para convertidos”. O detalhe é que os dois precisam mirar os indecisos.
Reta final
Às 18h, no Colégio Salesiano, nesta segunda (19), partidos aliados do presidente Lula se reuniram para tratar de mobilização na reta final da campanha em Pernambuco. O foco está em organizar atos e virar votos nas ruas. Das lideranças aliadas, além de petistas, como Teresa Leitão, João Campos também compareceu.