Em disputa acirrada, meta de Lula para PE era, no mínimo, repetir patamar de 2022
A dois dias do pleito, pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (02) numa simulação de segundo turno, aponta Lula com 65% das intenções de voto no Estado e Flávio Bolsonaro, com 29%. Em 2022, o petista teve 66,93% no segundo turno
A despeito da vantagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva detém em Pernambuco sobre o presidenciável Flávio Bolsonaro, uma preocupação era latente na base de apoio do petista desde o início da corrida eleitoral: a necessidade de, no mínimo, manter o patamar de votação obtido por ele, em 2022, no Estado.
Essa meta fundamenta, segundo aliados, até mesmo a aproximação do mandatário do Palácio do Planalto com a governadora Raquel Lyra, que abertamente “não assume ele”, como definem auxiliares do presidente, mas repetidamente externa gratidão ao líder-mor do PT e, a ele, atribui a realização de várias obras do Estado, sempre que é indagada sobre seu voto para presidente.
A necessidade de bater essa meta também pesou na decisão do petista de realizar agenda no Recife no último dia 25. A dois dias do pleito, pesquisa Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (02) numa simulação de segundo turno, aponta Lula com 65% (tinha 64%) das intenções de voto em Pernambuco e Flávio Bolsonaro, com 29% (tinha 29%).
Em 2022, o líder-mor do PT terminou o 2º turno com 66,93% dos votos válidos no Estado, o que equivale a 3.640.933 de votos, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro teve 33,07%, equivalente a 1.798.832. Ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos pondera, à coluna, algo que ecoa entre auxiliares do presidente nos bastidores: “Todos nós sabemos que a eleição é muito apertada”.
E ratifica o objetivo vigente: “A meta é repetir patamares que já tínhamos alcançado. Não pode diminuir”. Até o dia da visita do presidente a Pernambuco, havia ainda margem para crescer. Na ala que apoia Flávio, há uma bolsa de apostas dando conta de que ele pode ter mais votos que o pai no Estado, como já projetou o deputado federal André Ferreira.
Na simulação de primeiro turno da pesquisa, Lula pontua 61% (tinha 60%) e Flávio, 25% (tinha 24%). A última amostra fora divulgada no dia 25 de setembro, data em que Lula pediu votos para João Campos em Pernambuco, mas não desferiu qualquer ataque a Raquel, numa espécie de reciprocidade nas entrelinhas.
Numa corrida acirrada assim, qualquer oscilação positiva importa, como apontam aliados do petista. E isso vale também para os candidatos ao Palácio das Princesas, que, a três dias do pleito, figuraram no Datafolha, na estimulada de primeiro turno, tecnicamente empatados: Raquel Lyra com 46% (tinha 48%) e João Campos, com 44% (tinha 44%). A conferir.
Repeteco
A fala do presidente Lula defendendo que mulheres, “se tiverem consciência e votarem em mulheres” podem gerar “uma maioria congressual feminina” ainda rende no Estado após repercutir positivamente no conjunto liderado pela governadora Raquel Lyra. Ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, que tem acompanhado o petista em agendas pelo País, não vê o movimento como aceno calculado por ele à gestora do PSD. A ministra já viu ele repetir isso em outros estados. “Em todo lugar, ele diz isso por conta de Janja”, pontua Luciana. E detalha: “Eu vi ele fazer isso no Rio Grande do Sul e em Natal (RN). Janja pede para ele falar”.
Por exemplo
No Rio Grande do Sul, o candidato do PT ao Senado é Paulo Pimenta, e Manuela d´Ávila concorre pelo PSOL à Casa Alta. "No entanto, a frase de que mulher tem que votar em mulher, ele repetiu lá. Ele diz isso em tudo que é lugar", relata Luciana Santos.
Vencido
Após o cancelamento do debate da Globo, o cientista político Antonio Lavareda considerou o seguinte: “Esse modelo de debate engessado, demasiadamente regulamentado dá lugar a essa excessiva regulamentação, dá também lugar a uma excessiva intromissão do Judiciário, seja STF, seja o Tribunal Superior Eleitoral. Esse modelo está ultrapassado. Essa eleição vai entrar para história como eleição na qual os debates foram praticamente inviabilizados já no primeiro turno”. Na análise dele, é preciso “refletir sobre o esgotamento do modelo de debates e evoluir”.
Mapa
Além de Pernambuco, outra meta perseguida pela campanha do presidente Lula era, no mínimo, empatar em São Paulo, onde o palanque do presidente foi montado com participação ativa do candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos. Na simulação de primeiro tuno do Datafolha, divulgada nesta sexta (02), Lula subiu cinco pontos naquele Estado atingindo 38% e empatando tecnicamente com Flávio Bolsonaro, que tem 39%. “Se a gente, pelo menos, empatar em São Paulo, a gente vence”, advertira um parlamentar da base do presidente da República ainda no início da disputa.
“Efeito Marília”
Em 2020, quando João Campos enfrentou Marília Arraes na corrida pela Prefeitura do Recife, embora ela tenha liderado a corrida em várias pesquisas, ambos chegaram à véspera do pleito pontuando 50% cada no cenário de votos válidos, no 2º turno. O movimento passou a ser resgatado entre integrantes da Frente Popular, que contabilizam, em conversas reservadas, 100 mil votos de diferença que o socialista impôs à prima na abertura das urnas. Chamam isso de “efeito Marília” e apostam que o Recife pode dar essa diferença ao ex-prefeito no pleito deste ano. Naquele ano, ele foi eleito com 447.913 votos (56,27%) e ela teve 348.126 votos (43,73%).
Dose dupla
Depois de João Campos, agora, a governadora Raquel Lyra também apresenta a proposta de IPVA Zero para motos de até 180 cilindradas. Parlamentares aliados dela criticavam a ideia do socialista, alegando que isso derruba a transferência de recursos para os municípios, uma vez que metade do que é arrecadado com o imposto é dirigido às gestões municipais onde o veículo é emplacado. Houve quem argumentasse haver resistência de prefeitos e caráter populista. Agora, os motociclistas terão o auxílio garantido seja quem for o eleito.
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