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Mendonça: "Isso é abstinência de voto"

Coube, mais uma vez, ao deputado, que concorre ao Senado pelo PL, defender a governadora apesar de não compor seu palanque

Por Renata Bezerra de Melo

O deputado federal Mendonça Filho gravou vídeo em defesa de Raquel Lyra

Coube a Daniel Coelho e ao deputado federal Mendonça Filho, a defesa da governadora Raquel Lyra. Ambos gravaram vídeos em nome da chefe do executivo estadual. À coluna, o candidato do PL ao Senado subiu o tom sobre a iniciativa da Frente Popular, liderada por João Campos, de adotar medidas judiciais denunciando um suposto gabinete do ódio.

O detalhe é: se Daniel Coelho é correligionário da gestora do PSD, Mendonça, embora entusiasta declarado de Raquel, não compõe formalmente sua aliança, uma vez que disputa em candidatura avulsa, formando palanque, em Pernambuco, para o presidenciável Flávio Bolsonaro.

Mas tem competido a ele, de forma recorrente, encabeçar defesas em favor da governadora. “O comandante do maior gabinete do ódio de Pernambuco sempre foi o PSB”, dispara o parlamentar à coluna. E prossegue com a seguinte avaliação: “O PSB sempre se acostumou a fazer campanha com eles na frente. Não esperavam uma virada. Estão apelando para todo tipo de mentira, absurdo, gabinete do ódio”.

O ajuizamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE), anunciado pelo jurídico de João Campos, nesta quinta-feira (27), não carrega o potencial, na análise do deputado, de oferecer prejuízos à candidatura de Raquel Lyra.

“Isso é abstinência de voto. O povo sabe que o PSB está desesperado”, alfineta Mendonça Filho. E arremata: “Isso não prejudica ela. É desespero e abstinência de poder”. Essa não é a primeira vez.

No último dia 14 de julho, também foi de Mendonça a iniciativa de protocolar uma representação junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para apurar suposta participação de servidores do Recife e uso da estrutura municipal em atos pelo Auxílio Pernambuco. Embora Raquel Lyra evite o rótulo de bolsonarista e já tenha declarado à CNN que Mendonça não é seu candidato, apoio a ela ele nunca nega.

Na ponta do lápis

Ao ser indagada se rejeita o rótulo de bolsonarista, a despeito dos apoios desse campo que a acompanham, Raquel Lyra tem recorrido ao termo “pernambuquista” para se definir. E questiona: “Vão querer me rotular?”. Fez a fala durante a sabatina do Diario de Pernambuco. Se, no discurso, o bolsonarismo fica escanteado, integrantes do seu conjunto, em conversas reservadas, realçam que “não dá para ela rechaçar esse voto”. Há uma estimativa, feita nas coxias, de que 80% da direita está com ela.

Virada de chave

Se aliados da governadora estimam que 80% da direita está com ela, isso não é visto como suficiente. “Vamos elevar para 95%”, aposta um membro da frente liderada por Raquel Lyra. Nessa conta, se considera a seguinte variável: “foi quando o ex-prefeito João Campos perdeu percentual da direita para ela, que ela virou o jogo”.

Timing

Sobre a interpretação de um leitor, que traduziu o termo “pernambuquista” como a junção de Pernambuco com bolsonarista, Raquel Lyra, ainda na sabatina, questionou quantos fizeram isso. E emendou: “Mas pode ser colunista. Pode ser com socialista”. Na sequência, insistiu que não a rotulem e, logo, tratou de lembrar da relação com o Governo Lula. “Diziam que eu não ia conseguir construir pontes com o Governo Federal. E os investimentos estão acontecendo em Pernambuco. O presidente Lula me acolheu desde a primeira vez. Eu fui mais de 100 vezes a Brasília, 120, 130”.

Discreta

De forma sutil, Raquel, por outro lado, admitiu o seguinte: “E tem gente que pensa diferente, que vota comigo sim”. Não se rechaça esse voto, como advertira um aliado. “Inclusive, os meus próprios servidores, eles são diferentes um do outro”, pontuou a gestora num movimento que, ainda que discreto, não deixa de soar como aceno aos bolsonaristas defensores de sua reeleição.