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João Campos: "Todo bolsonarismo está no entorno dela"

Ao se referir ao gabinete do ódio, o ex-prefeito João Campos atribui, à governadora Raquel Lyra, práticas da extrema direita

Por Renata Bezerra de Melo

João Campos foi o segundo entrevistado na série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os candidatos ao governo do Estado

Para o candidato a governador do PSB, João Campos, sua adversária, Raquel Lyra, adota prática de extrema direita. Aliados dele já haviam sinalizado o mesmo. Mas em tom menos duro. O prefeito do Recife, Victor Marques, cujo discurso, na Frente Popular, é dos mais alinhados ao do postulante ao Palácio das Princesas, à coluna, definira o palanque da governadora como “majoritariamente bolsonarista, conservador” e apontara uma “cristalização de campo” vigente.

João Campos não diverge. “Todo bolsonarismo está no entorno dela”, declarou o socialista, à coluna, após encerrar, ontem, sua participação na segunda sabatina da série que o Diario de Pernambuco promove com os candidatos ao Governo do Estado.

Ainda no início da gravação, João, ao comentar sua ida ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) para pedir providência, fizera referência à “prática comum na extrema direita no mundo inteiro, uma prática criminosa, que está sendo feita aqui no estado de Pernambuco”.

Indagado, ao final da sabatina, se estava classificando a gestora do PSD como extrema direita, João Campos fora categórico: “Isso. Essa prática de desconstrução do gabinete do ódio, de ataques, de mentira, de fake news, pós-verdade, enfim, tem “n” nomes que podem ser utilizados, isso foi feito. Isso foi liderado nos Estados Unidos, tem, agora, um argentino que está fazendo isso em novas eleições na América Latina. É assim que diversos governos democráticos têm sofrido”.

E o mais grave, ele adverte: “tem a prática de crime”. E prossegue: “Isso tem financiamento, tem alguém por trás que pensa, que dá ordem, e que executa isso”. O argumento de João sintoniza com a lógica da “cristalização do campo” advogada por Victor Marques.

É a polarização, no argumento de Victor, que pode tornar uma visita do presidente Lula, a Pernambuco , mais efetiva do que foi em 2022, quando nem Danilo Cabral, nem Marília Arraes se elegeram, a despeito das agendas cumpridas pelo líder-mor do PT com ambos. Este ano, Lula tem escolhido estados com polarização mais nítida para comparecer. Cristalizar o campo, como define Victor, então, é essencial para a estratégia de João.

“Eu corro”

“Tudo começou muito cedo. Perdi meu pai cedo, entrei na vida pública jovem. Aos 24 anos, fui eleito deputado mais votado da história de Pernambuco, com quase 500.000 votos. Depois, eu fui eleito o prefeito mais jovem da história de todas as capitais brasileiras. Muita gente duvidava, né? Será que esse menino vai dar conta? É muito novo”, relatou João Campos durante a sabatina. Indagado pela coluna se faz terapia, ele foi sucinto: “Não”. E, logo, emendou: “Eu corro”.

Pace

O socialista tem retomado suas corridas logo cedo e sinaliza ser no exercício que descarrega a pressão oriunda da rotina na política. E enquanto eles duvidavam? “Eu busquei trabalhar, trabalhava, trabalhava, acordava cedo, ia dormir tarde, e nunca fiquei reclamando”, devolve João Campos.

Pela tangente

Paulo Câmara acionou seu jurídico para, eventualmente, pedir direito de resposta sobre temas que ele aponta como inverídicos, citados por Raquel Lyra. João Campos, indagado se não teria interesse em defender a gestão do ex-governador em sua campanha, tergiversa: “O debate que o povo espera não é sobre o passado de Pernambuco”.

Pula essa parte

Sem citar o nome do ex-governador, João fala de futuro: “As pessoas estão aqui para fazer uma escolha sobre o futuro, sobre quatro anos pela frente. Quem pode fazer mais pelo nosso estado? Quem é que pode realizar a obra? Quem é que pode construir o hospital? Quem é que pode tirar creches do papel? Quem é que vai duplicar a estrada, quem é que vai conseguir fazer com que novas indústrias e empresas venham para cá?”.