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Unidade passou por arranjo com Raquel

Secretário da Casa Civil da governadora e o vice-presidente do PSD no Estado tomaram café com Ciro, Eduardo e Fernando Filho

Por Renata Bezerra de Melo

Eduardo da Fonte, Raquel Lyra e Fernando Filho

Às 9h da manhã de ontem, o copresidente da União Progressista, Ciro Nogueira, foi à mesa, no Novotel, no Recife, não só com o presidente da federação em Pernambuco, Eduardo da Fonte, mas também com os deputados federais Lula da Fonte e Fernando Filho, representante de Miguel Coelho na construção da unidade, que viria a ser formalizada, horas depois, no início da noite.

Detalhe: o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, e o vice-presidente estadual do PSD, André Teixeira, braço direito da governadora Raquel Lyra, também acompanhavam o café da manhã.

A harmonia no conjunto já vinha sendo construída, entretanto, desde o dia anterior. Como a coluna cantara a pedra, havia uma conversa no radar para ocorrer entre Eduardo e Miguel, mas o diálogo do dirigente acabou se dando, ainda na terça (04), com Fernando Filho.

Nos dias que antecederam essa construção, Eduardo estivera com Raquel Lyra e entregara o mapa de suas bases a ela, a quem caberia a distribuição de parte delas. Isso já estava acordado.

Ainda na manhã de ontem, na sede do PP, onde ocorria a convenção da federação, marcada para as 11h, Fernando Filho sublinhou não haver divergência com Eduardo da Fonte, a despeito do movimento do dia anterior, quando Miguel declarou apoio à candidatura de Mendonça Filho ao Senado.

“Não tem divergência da nossa parte com relação à candidatura de Dudu. A gente sempre defendeu que os dois partidos apresentassem seus candidatos”, assinalou em coletiva. E realçou que a divergência era referente à governadora, embora não tenha negado apoio a ela. “Apoiamos (a governadora), mas a coligação é uma questão à parte”, pontuou.

Fernando Filho pediu tempo, avisou que manteria conversas com Eduardo ao longo dia e voltaria às 16h. No final da tarde, após reunião a portas fechadas, a divergência foi transmutada em unanimidade.

Coube a Eduardo anunciar a deliberação pelo apoio à Raquel Lyra e por sua candidatura ao Senado. De lá, partiu para o Palácio das Princesas ao encontro da governadora. Na esteira, ecoou que Miguel Coelho seria candidato a deputado federal. Nos bastidores da federação, o entendimento é de que tal equação é boa também para Raquel e envolveu a distribuição das bases de Eduardo.

Presente de aniversário

A divergência apresentada pelo União Brasil no Estado com chancela da nacional passou pelo crivo de Antonio Rueda, copresidente nacional da federação. Ontem, dia da deliberação, era aniversário de Rueda. Durante a reunião na presença de Ciro Nogueira, na sede do PP-PE, que tinha à mesa ainda Fernando Filho, Eduardo da Fonte e Lula da Fonte, os parabéns foram dados a Rueda via facetime.

Pit Stop

A Antonio Rueda, Ciro Nogueira disse que o presente que ia dar a ele era Eduardo da Fonte senador. Ciro desembarcou no Recife às 00h da terça (04) para quarta (05). Ontem, tomou café da manhã no Novotel e partiu para o Piauí direto da sede do PP.

Tinha uma pedra

Ao falar com a Imprensa, Fernando Filho detalhara: “A divergência é que o Progressistas quer coligar com a governadora e nós ainda estamos na posição de não coligar”. Essa tendência já havia sido antecipada em nota, emitida no sábado após Miguel Coelho recuar da postulação ao Senado. O referido texto, assinado por Antonio Rueda e Carlos Andrade Lima, sublinhava o seguinte: “Por orientação expressa da direção nacional do União Brasil, a convenção deliberou pela não formação de coligação para os cargos de governador e senador”.

Reviravolta

No bojo das tratativas que se davam nos bastidores, Fernando Filho ainda fez referência ao que chamou de "reflexões do lado dos assessores jurídicos da governadora". Pontuou assim: "O que a gente ouviu ao longo desses seis meses era de que posição do União Brasil era irrelevante nessa coligação e que estava tudo garantido. Parece que fizeram umas reflexões, do lado dos assessores jurídicos da governadora, de que era importante ter o apoio do União".

Ops!

Não passou despercebida, no meio político do Estado, uma declaração de Ciro Nogueira sobre a aprovação da governadora Raquel Lyra e os efeitos disso nas candidaturas ao Senado. "Nunca vi, na minha vida política, uma governadora com 68% de aprovação não ganhar eleição e não eleger seus senadores", declarou o dirigente nacional do PP.  "Nessa tese, ele tá perdido. No Piauí, o governador adversário dele tem mais de 80% de aprovação", disparou um parlamentar em reserva, se referindo a Rafael Fonteles, do PT. Ciro concorre na chapa de Joel Rodrigues, do PP.