Túlio descarta recuo em prol da Federação
Sem consenso entre União e PP, Raquel pode acabar sem o tempo de rádio e TV. A hipótese de um plano B começou a ser ventilada
Indagado pela coluna, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) é taxativo: “Eu não fui convidado para ser candidato a candidato”. Com nome posto para concorrer ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra, ele descarta qualquer hipótese de abrir mão de disputar a Casa Alta a despeito de um movimento que começa a se desenhar nos bastidores diante do impasse instalado na Federação União Progressista. Fontes envolvidas na construção cogitam a chance de Túlio “fazer um gesto” como plano B. A equação surge diante da iminência de a governadora ficar sem o tempo de TV da federação.
Em outras palavras, uma chapa independente, que incluísse Miguel Coelho (União) e Eduardo da Fonte (PP), só poderia coligar com a da governadora em caso de consenso, coisa que vem sendo tratada como inviável nos bastidores. “Se os dois não se entenderem, cada partido lança seu candidato, e ela perde o tempo de TV”, detalha à coluna uma fonte que acompanha o processo. Isso se dá em função do Estatuto da federação.
Em seu artigo 27, o documento realça que, na divergência, a decisão é da nacional. Detalhe que a direção da federação é repartida entre Antonio de Rueda e Ciro Nogueira. Ciro já sinalizou que não desautoriza Eduardo. E Rueda hipotecou apoio a Miguel. Se a federação não chegar a entendimento, não se descarta que um dos nomes seja candidato com Raquel e outro saia de forma independente. Consolidada essa divergência, uma coligação estaria inviabilizada. Como a coluna registrara, Raquel Lyra perguntou, ao PP, sobre o risco de ficar sem o tempo de rádio e TV, Eduardo da Fonte silenciou. A conferir.
Torta de climão
Se Miguel Coelho declinou da tentativa de Eduardo da Fonte de organizar uma campanha dele para federal, como contamos nesta terça (07), fontes ligadas ao progressista adiantam que uma insistência em demovê-lo da pré-candidatura ao Senado pode fazer o clima azedar ainda mais. A pessoas próximas, Eduardo chegou a ponderar: “Ele não tem mandato e não aceita compor. Eu vou aceitar por que?”. Outra fonte que acompanha as costuras adverte: “Se o desfecho for ruim, o clima fica como?”.
Estatuto 1
Em seu artigo 27, o Estatuto da Federação União Progressista diz o seguinte: “As candidaturas majoritárias estaduais serão decididas pela Direção Estadual da Federação”. Em Pernambuco, quem dirige o partido é Eduardo da Fonte e sua pré-candidatura ao Senado foi aprovada em reunião da executiva estadual no último dia 29.
Estatuto 2
Porém, o texto adverte: “Se as decisões tomadas nas convenções eleitorais dos partidos políticos forem divergentes, a validação, pela Direção Nacional da Federação, da deliberação tomada pela Direção Estadual é condição para o registro, perante a Justiça Eleitoral”. O detalhe é que a direção nacional é compartilhada.