1º dia de desfile no Rio tem homenagem a Lula e Ney Matogrosso; veja resumo
Desfiles do Grupo Especial continuam nesta segunda-feira (16), com Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca
O primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, no domingo (15/2), foi marcado por homenagens a personalidades da política e da cultura brasileira, além de celebrações da negritude e das tradições afro-indígenas da Amazônia.
Abrindo a noite de desfiles, a Acadêmicos de Niterói, campeã da Série Ouro em 2025 e estreante no Grupo Especial, levou para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escola homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retratando a infância no agreste pernambucano, a migração para o Sudeste, a atuação como sindicalista e a trajetória política.
O samba-enredo, interpretado por Emerson Dias, também trouxe sátiras a adversários políticos. Lula acompanhou o desfile de um camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes e de ministros. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, também esteve presente, mas não desfilou.
A oposição criticou a homenagem. O Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em publicação na rede social X, que Lula estaria usando dinheiro público para “fazer campanha antecipada”, classificando o episódio como “um crime”. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a representação do marido, atualmente preso, como palhaço encarcerado, e afirmou que “quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva”, destacando tratar-se, segundo ela, de “registro judicial”.
A segunda escola a desfilar foi a Imperatriz Leopoldinense, que homenageou o cantor Ney Matogrosso. O artista participou como destaque no último carro e celebrou a apresentação. Em cerca de 80 minutos, a escola revisitou diferentes fases da carreira do cantor, desde o período na banda Secos & Molhados, com Sangue latino, até sucessos da trajetória solo, como Homem com H. Ney afirmou que pretende retornar à avenida caso a escola esteja entre as campeãs e participe do Desfile das Campeãs.
Na sequência, a Portela exaltou a história e a força do povo negro no Rio Grande do Sul, em um enredo construído a partir do diálogo simbólico entre o orixá Bará e o Negrinho do Pastoreio. Um integrante da comissão de frente sobrevoou a avenida com auxílio de um drone, surpreendendo o público. Apesar do bom desenvolvimento, o último carro, que levava a velha guarda, entrou com atraso na Sapucaí, impactando a evolução. A escola concluiu o desfile com os últimos componentes atravessando o portão da dispersão a um minuto do fim do tempo regulamentar.
Encerrando a primeira noite, a Estação Primeira de Mangueira apresentou o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, em homenagem a Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, figura histórica do Amapá. A apresentação destacou a floresta amazônica, seus mistérios e saberes tradicionais. Durante o desfile, o carro abre-alas colidiu com a estrutura de concreto na saída da avenida e ficou momentaneamente preso, obrigando integrantes a deixarem a Sapucaí pelas laterais. O problema foi rapidamente resolvido, e a escola finalizou a apresentação dentro do tempo, aos 79 minutos, já ao amanhecer.
Os desfiles do Grupo Especial continuam nesta segunda-feira (16/2), com Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. Na terça-feira (17), será a vez de Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, Grande Rio e Salgueiro encerrarem a programação na Marquês de Sapucaí.
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