° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Polícia encontra R$ 700 mil na casa de assessor ligado a Milton Leite

Dinheiro, dividido entre notas de real e de dólar, foi encontrado em Sorocaba, durante busca por Milton Leite, que segue foragido

Por Nilton Vilanova

Leite se declarou inocente e afirmou que se apresentaria às autoridades em 24 horas, prazo que já se esgotou sem que isso ocorresse

A Polícia Civil de São Paulo encontrou, nesta sexta-feira (18), mais de R$ 700 mil em espécie na casa de um assessor ligado a Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. O montante, encontrado em uma casa em Sorocaba, no interior do estado, estava dividido entre real e dólar: R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 458 mil na cotação atual). O nome do assessor não foi divulgado pela polícia.

Leite teve a prisão temporária decretada na quinta-feira (17), em uma operação que investiga a infiltração do PCC em empresas de ônibus e no poder público de São Paulo. Ele não foi localizado durante as buscas e é considerado foragido. Em nota divulgada na quinta, o ex-vereador se declarou inocente e afirmou que se apresentaria às autoridades em 24 horas, prazo que já se esgotou sem que isso ocorresse.

A relação com a Transwolff

Milton Leite é apontado pelas investigações como o verdadeiro dono da Transwolff, empresa de ônibus acusada de lavar dinheiro para o PCC. Tanto o ex-vereador quanto a empresa negam a relação: Leite afirma não ser proprietário, e a Transwolff sustenta que ele não tem participação societária nem qualquer papel na gestão da companhia.

A decisão do desembargador Sergio Ribas, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que decretou a prisão temporária de Leite e de outras 15 pessoas por 30 dias, aponta a existência de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores da organização criminosa, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Declarações de policiais militares prestadas ao Tribunal de Justiça Militar também corroboram a tese de que Leite seria o dono de fato da Transwolff, uma das 12 empresas do setor de ônibus apontadas como controladas pelo PCC na capital paulista.

Como a polícia chegou a Leite

A investigação partiu de trocas de mensagens de WhatsApp entre suspeitos e uma pessoa identificada como integrante do PCC, segundo o delegado Fabrício Intelizano, titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise). Em um dos diálogos, um interlocutor - apontado como membro da facção - relata a um advogado identificado como Milton Milreu que seria necessário "envolver o Milton Leite para resolver a questão". Em outro trecho, o mesmo interlocutor demonstra preocupação em dar ciência a Leite sobre fatos relacionados à UpBus, outra empresa de ônibus citada na investigação.

Para o MP-SP, Leite é apontado como possível articulador político de decisões estratégicas do setor de transporte público paulista, incluindo as empresas sob investigação. Os investigadores acreditam que a conversa mencionada pode estar relacionada à substituição da UpBus por outra companhia, identificada no relatório como Translíder.