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Discord suspende transmissões ao vivo no Brasil após decisão de agência

Determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi tomada após suicídio de adolescente e será mantida até a plataforma tomar medidas de segurança

Por Estadão Conteúdo

Discord

Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.

O Discord afirmou nesta segunda-feira (17) que suspendeu os recursos de compartilhamento de tela e vídeo da plataforma no Brasil. A medida ocorreu após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que, na semana passada, determinou a suspensão das transmissões ao vivo até que medidas de segurança sejam tomadas pela plataforma.

Em carta divulgada em seu site, o Discord afirmou que "esta é uma situação séria" e menciona o suicídio da adolescente de 13 anos, que se matou após ser alvo de incitação à violência por um rede de ódio que se articulou na internet.

"A ordem ocorre após um caso devastador envolvendo a morte de uma adolescente, na sequência de uma campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas. Trabalhamos todos os dias para manter esses indivíduos fora da nossa plataforma e para tornar o Discord mais seguro para os adolescentes. Temos colaborado e continuamos colaborando com as autoridades policiais neste caso", diz a carta do Discord.

A plataforma afirma que está trabalhando para restabelecer o acesso aos recursos "o mais rápido possível", uma vez que o Discord é utilizado por gamers, desenvolvedores, pequenas empresas, entre outras comunidades em todo o País.

Apesar da restrição imposta principalmente a mecanismos de vídeo o Discord afirma que os seguintes recursos continuam em funcionamento:

- Mensagens diretas (DMs) e mensagens diretas em grupo;

- Servidores de todos os tamanhos;

- Canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio;

Todos os demais recursos do Discord que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela.

No comunicado, a empresa pede que usuários brasileiros compartilhem histórias positivas de uso do Discord em publicações feitas em outras plataformas e marquem a rede.

"Somos uma empresa pequena em comparação com muitas das grandes plataformas globais de comunicação, e o Discord ainda é menos conhecido por muitos legisladores e reguladores. Para quem nunca usou o Discord pessoalmente, pode ser difícil compreender a diversidade de formas pelas quais a plataforma faz parte do dia a dia da nossa comunidade", diz o texto.

A plataforma acrescenta estar comprometida com a comunidade brasileira e com trabalho construtivo junto às autoridades brasileiras.

Na semana passada, a ANPD determinou a suspensão de lives e outras ferramentas de compartilhamento de vídeo até que a plataforma comprove a adoção de medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

Popular entre os jovens, o Discord é uma rede de comunicação que permite criar e participar de grupos (os "servidores"), com suporte a texto, chamadas de voz e vídeo. Em julho, o site foi utilizado para transmitir a automutilação de uma menina de 13 anos que cometeu suicídio.

Outras investigações têm apontado o uso da rede por grupos extremistas e terroristas, com estímulo a autoagressão, tortura a animais, abuso sexual de crianças e adolescentes, tiroteio em escolas, entre outros crimes.

Onde buscar ajuda

Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:

Centro de Valorização da Vida (CVV - https://cvv.org.br/)

Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.

Canal Pode Falar (https://www.podefalar.org.br/)

Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.

SUS

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis e é possível buscar os endereços das unidades nesta página.

Mapa da Saúde Mental (https://mapasaudemental.com.br/)

O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.