° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Operação mira contrato de ONG da produtora do filme de Bolsonaro com prefeitura de SP

Investigação aponta indício de fraudes em contrato no valor de R$ 108 milhões entre a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-FI

Por Cynthia Morato

Suspeita é que recursos do programa "Wi-Fi Livre" tenham sido desviados para custear as atividades de produção do filme "Dark Horse"

A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) está sendo alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1º). A ONG pertence à empresária Karina Ferreira da Gama, que é sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A suspeita é de fraude no contrato com a gestão municipal, no valor de R$ 108 milhões ao ano, para instalação de Wi-Fi na cidade. Segundo a investigação, o contrato 01/SMIT/2024 entre o ICB e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia é suspeito de “graves irregularidades”.

Conforme o documento, seriam instalados 5 mil pontos públicos de Wi-FI em comunidades da periferia da cidade de São Paulo, como parte do programa municipal "Wi-Fi Livre". No entanto, ainda de acordo com as investigações, o serviço não estaria sendo prestado.

"Há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses", informou ao G1 a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital.

Ainda segundo o portal, a promotoria alega que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

Há suspeitas que "recursos públicos do programa 'Wi-Fi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo", segundo ofício encaminhado à Justiça pelo delegado titular da 2ª Delegacia da Divisão de Crimes contra a Administração (DICCA), Antônio Carlos Munuera Silveira.

 

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em entrevista à Globo News, afirmou que são pouco 3.200 pontos e que “neste exato momento tem 3.191 ativos”. “Não constatamos nada de irregular no processo, mas estamos à disposição para colaborar, como já vem sendo feito”, disse o prefeito ainda na entrevista

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que “colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido encaminhado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município”.

Ainda segundo o documento, a administração ressaltou “que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://institutoconhecerbrasil.org.br/wifilivrecom. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção”.