O mamulengo e o calango elétrico

Publicado em: 01/08/2018 03:00 Atualizado em: 01/08/2018 08:17

Minha gente vô contá, dois fato que aconteceu,
nesse Recife bonito,
Durante esse mês de julho, de Santo Antônio e João
Um bonito que dá gosto, outro pra quem se perdeu

Primeiro a Fenearte, linda feira de artesão,
Onde o nordeste e o país, se mostrou pra exposição.
Teve tudo da riqueza, da cultura popular,
Do mamulengo ao santeiro, do ceramista ao seleiro,
Da bio-joia ao cordel, de tudo havia por lá...

Pra coroar a beleza, de toda essa criação, a música nordestina,
Do xote, coco, baião, tocada por sanfoneiro, engrandecia o Sertão...

O outro um disparate, um concurso de quadrilha,
Que mais parecia doidice, de gente que não conhece o que de bom acontece,
Quando meu povão se junta pra mostrar sua alegria, pela passagem dos santo,
E dança feliz nos seus dia, livre, sem cabresto e à vontade
Ao invés do que se viu, naquele jeito de dança, que de tão sem liberdade,
Lembrava um calango elétrico, pulando que nem maluco,
Sem nada que de verdade, expressasse Pernambuco.

Junto disso a coisa feia, chamada de Sertanejo, tudo igual, sem criação,
Copiando americano, e dizendo que é Sertão
Cantores que gritam e choram, meninas que mostram as pernas,
Pra não dizer outra coisa,
Música sem valor, poesia sem sentido,
Que faz doer o ouvido e só corneia os marido.

Foi isso que vi aqui, o mamulengo e o calango,
Um mantendo a história, outro pulando sem graça,
Um mostrando o Nordeste, outro fazendo trapaça,
Um mantendo a tradição, outro um bando de abestado,
Um livre querendo viver, outro só aparecer

Confesso que do meu lado fico eu cum mamulengo, e a toada nordestina
Enquanto desprezo o calango, por ser curta a sua sina
Dançando com o baião, o xote, o coco e o xaxado,
E mandando o sertanejo, enganar pra outro lado

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