Poder que envergonha... Jaime Xavier Mestre em Administração de Negócios pela COPPE - RJ. Sócio-Diretor da XConsult - Consultoria Empresarial. Sócio-Diretor Comercial da Sabor Saudável Produtos Alimentícios

Publicado em: 20/07/2018 03:00 Atualizado em: 20/07/2018 10:57

Antes de qualquer coisa, quero confessar que relutei muito em escrever essas palavras, pela tristeza e revolta que me trazem, e por saber que pouco ou nada representarão, para os seres que se pretendem intocáveis e superiores, aos quais me irei referir.

Como um cidadão comum, no entanto, que procura honrar seu nome, que paga religiosamente, mesmo que sem qualquer motivação para isso, os escorchantes impostos a que é submetido, não me posso calar diante do escândalo em que se tornou a nossa chamada Suprema Corte.

É vergonhoso assistirmos a disputa de egos, de duas correntes distintas, cada uma voltada a destruir tudo o que tenta ser construído pela outra e, dentro da sua prepotência e arrogância, dando a entender claramente ao povo a quem deveriam servir e por quem são regiamente pagos, o total desprezo que têm pelo homem comum.

O escárnio a que somos submetidos chegou a tal ponto, e de tal maneira já é conhecida a forma pela qual se comporta cada um dos nossos “intocáveis senhores de toga”, que os recursos, ao que se deveria esperar representasse justiça, transformaram-se em uma vergonhosa loteria, independentemente da culpa ou da inocência dos que ao seu julgo se submetem.

Temos como cidadãos, pelo menos em tese, o poder de substituirmos nossa representação através do voto, em todos os níveis do poder, à exceção de um, o poder discricionário e absoluto dos que se pretendem “senhores da lei”.  A estes não há limite, questionamento, possibilidade de responsabilizar ou risco de punição. São absolutos e inquestionáveis em suas decisões, verdadeiros “deuses” indiscutíveis e inalcançáveis, do “Olimpo” em que se transformou o nosso STJ.

Diz-se que são os intérpretes da Constituição, mas será que o que se encontra expresso em nossa “Carta Magna” é tão inconsistente e discutível, que permita visões tão distintas e opostas da sua leitura?

“Data Venia”, como costumam dizer, meus senhores, mas assumam um mínimo de responsabilidade e decência em seus veredictos. Respeitem estes indefesos cidadãos que lhes pagam os salários. Tentem demonstrar aos criminosos que, independentemente de posições sociais, políticas e ideológicas, terão suas práticas punidas exemplarmente, sem lhes permitir usufruir e rir da desgraçada condição a que nos conduziram, e continuam a levar diariamente.

Sirvam apenas ao Brasil e ao seu povo, e não aos que já foram seus chefes e patrões, não aos que lhes deram com visíveis segundas intenções, o benefício de ocuparem os cargos que ocupam, não aos seus compadres, amigos e apadrinhados.

Expressem-se de forma a que possamos compreendê-los e, caso não tenham interesse em agir, segundo os princípios da clareza, da isenção, da honestidade, da ética, do combate à corrupção e da punição aos criminosos de qualquer nível ou posição, tenham sim, a coragem e a hombridade de renunciarem aos seus cargos e privilégios.

Já temos razões bastantes para nos envergonharmos. Não façam com que sua vaidade nos leve a nos envergonharmos também, e ainda mais, da nossa Justiça...

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