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ARTES PLÁSTICAS

Mostra de pinturas digitais celebra os 80 anos do pintor e escritor João Câmara

Exposição reúne 85 peças produzidas ao longo dos últimos 20 anos pelo paraibano, que reflete sobre seu trabalho ao Viver

Publicado em: 11/06/2024 06:00 | Atualizado em: 10/06/2024 15:31

 ('Anunciação em fiesole' / Divulgação)
'Anunciação em fiesole' / Divulgação
Em exposição comemorativa dos 80 anos do artista paraibano João Câmara, o Museu do Estado de Pernambuco traz a partir de amanhã um projeto que reúne 85 pinturas digitais em grande formato que foram realizadas ao longo de duas décadas. A partir das 19 horas, com visitação até o dia 14 de julho, a mostra, que tem curadoria de Weydson Barros Leal e produção de Vera Magalhães e Beth Marinho, apresenta ainda algumas pinturas recentes e inéditas a óleo sobre tela. As obras digitais são originais pintados pelo artista com programas de pintura eletrônica e processados fisicamente em tela com tintas de pigmento. 

Intitulada 'João Câmara 80 anos: Pinturas digitais', a exposição é a terceira do artista realizada no Museu do Estado, sendo a primeira a mostra 'Duas Cidades', que inaugurou as novas instalações do bloco moderno, e a segunda, em conjunto com o Museu Afro de São Paulo, 'João Câmara: trajetória e obra de um artista brasileiro'. Esta de agora traz a produção de pintura digital a que ele vem dedicando nos últimos 20 anos e nunca expôs no Recife e, para apresentar ao público, a curadoria optou por uma alta saturação figurativa, criando praticamente, nas palavras do próprio pintor, um mosaico do material imaginário insistente na sua obra.

Existem mais de 530 figuras/personagens habitando as 85 pinturas digitais exibidas na mostra, exemplificando a variedade de universos possíveis a partir do trabalho de João, sempre em processo de se desafiar e se reinventar estilísticamente utilizando novos aparatos. Dos seus 80 anos de vida, 64 são dedicados ao ofício exclusivo da sua arte, numa persistência que ele mesmo considera como uma homenagem aos seus pais "Essa teimosia é, de certo modo, dedicada a eles: mostra que é possível insistir e sobreviver na precariedade e empecilhos cotidianos da nossa cultura", ressaltou o artista ao Viver. 

Explicando sobre como sua arte reflete sua forma de ver o mundo e as outras artes, João destacou a individualidade de cada peça e como, ao mesmo tempo, elas formam um conjunto. "Cada obra é tem um corpo e uma personalidade que a diferencia. Vista isolada, uma pintura imp%u014De sua história e seu jeito de portar o estilo. Posta em sequência, como numa retrospectiva cronológica, ela se aparenta às suas vizinhas, integra um corpo mutante da mesma matriz. Pinta-se sempre o mesmo quadro sob roupas e cores diferentes, quase isto", contou.

"A obra de João Câmara é um desafio para observadores, críticos e estudiosos da arte. Isso porque envolve, paralelamente ao domínio das técnicas mais sofisticadas da pintura, um conhecimento erudito e histórico da arte e, antes e além do quadro, um vasto campo de literatura que está intrinsecamente relacionado com a pintura. Diria até que a literatura, seus temas, personagens e cenários são íntimos dessa pintura. Porque a escrita é parte do arsenal de Câmara. Talvez por isso, também, eu me sinto tão confortável na organização da exposição quanto na leitura dos seus livros. É um diálogo em que a beleza é um assunto comum a todos", enalteceu o curador da exposição Weydson Barros Leal.

Na ocasião de inauguração da mostra, haverá ainda o lançamento do segundo livro de contos de João Câmara, A caminho de Querétaro, que traz 17 histórias em cenários latino-americanos e com célebres ilustrações. "Um pintor de figuras está sempre a um passo de ser impelido à escrita. Há figuras que pedem uma vida além do limite da tela e da tinta. A atividade do pintor é tímida, porém, e a escrita sempre é mais sociável menos contida e necessariamente desinibida", afirmou João a respeito do seu trabalho de escritor.
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