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Histórias e Palestras: A trajetória admirável de Leila Ferreira

Formada em Letras, Jornalismo e com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres, Leila Ferreira tem uma trajetória admirável e encantadora tanto como jornalista, escritora e palestrante

Publicado em: 28/05/2024 17:32 | Atualizado em: 28/05/2024 17:34

Cada fala e escrita minha hoje são frutos dessa vivência como jornalista, além das outras vivências. (Foto: Divulgação)
Cada fala e escrita minha hoje são frutos dessa vivência como jornalista, além das outras vivências. (Foto: Divulgação)

Formada em Letras, Jornalismo e com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres, Leila Ferreira tem uma trajetória admirável e encantadora tanto como jornalista, escritora e palestrante. Em seus 21 anos dedicados ao jornalismo, atuou na Rede Globo em Minas Gerais, apresentou o programa “Leila Entrevista” na Rede Minas de Televisão e TV Alterosa no SBT, trabalhou no jornal Estado de Minas e foi colaboradora na revista Marie Claire.

 

Hoje, Leila se dedica às suas palestras pelo Brasil e à escrita de livros, mas ela ressalta que permanece sendo jornalista em tudo que faz, como nos muitos momentos como palestrante por todo o Brasil. “Então, tudo que vivi no jornalismo, em 21 anos, está impresso em mim: na visão de mundo, nos meus sentimentos, na minha postura diante da vida. Você não consegue ser jornalista durante 21 anos, ver e sentir tanto da vida impunemente. São várias marcas que ficam com a gente. Cada fala e escrita minha hoje são frutos dessa vivência como jornalista, além das outras vivências. Mesmo eu tendo me aposentado como jornalista, a jornalista em mim não se aposentou”, contou.

 

Nos seis livros escritos por Leila, numa proporção menor no seu último, “Cartas para a Minha Mãe”, todos são frutos de conversas com as pessoas. Leila destaca que a coisa que mais ama é ouvir as pessoas. Ela recorda que, quando assumiu o programa “Entrevistas com Leila”, sua escuta ativa se destacava na atração, sendo essa sua marca. “Tinha um diretor que me falou nos primeiros dias que eu deixava as pessoas falarem muito e que eu tinha que interromper para o programa ficar mais dinâmico. Eu disse não. Se eu tivesse que interromper, ele poderia trocar a apresentadora, porque eu gosto de conversa e a conversa tem um ritmo. Eu teria que nascer de novo e não no interior de Minas Gerais, onde aprendi a conversar ouvindo o outro, para ter a capacidade de não ficar interrompendo a pessoa que está conversando comigo. Eu adoro ouvir histórias, adoro conversar muito mais ouvindo do que falando, e os meus livros são frutos disso, porque eu sempre converso com muita gente para escrever”, comentou.

 

O seu próximo livro, com o título provisório de “O Nome Disto é Vida”, será escrito a partir de 20 entrevistas, mas não em forma de entrevista. Leila conversou com mais de 20 pessoas, de forma presencial; entre elas estão Mia Couto, em Moçambique, Andrew Solomon, em Nova York, e seu Miguel do Moinho, em Portugal; no Brasil, Marta Medeiros, Vera de Jesus, a filha de Carolina de Jesus, entre outras pessoas. “Vou tentar misturar todas essas conversas. Ainda não tenho a menor ideia de como vou fazer isso, e o livro deve ser lançado no primeiro semestre do ano que vem. Eu brinco que, antes, eu pedia para o Espírito Santo soprar no meu ouvido na hora de escrever; dessa vez, ele vai ter que gritar, porque a empreitada não vai ser simples. É mais um livro feito por uma jornalista, porque o que me move é essa vontade de ouvir o outro, estar com o outro, e é o que ouvi dessas 20 pessoas, tudo isso misturado às minhas próprias reflexões, que vai ser a espinha dorsal desse livro. Deus tome conta”, explicou a escritora sobre a escrita da sua próxima obra.

 

RELACIONAMENTO

De acordo com a palestrante, as pessoas estão voltadas à busca por qualidade de vida, mas esquecem dos fatores importantes para chegar a esse objetivo. Em suas palestras estão presentes temas como gentileza, leveza, felicidade, tristeza, ansiedade, humanidade e o sentido da vida, entre outros pontos, que são analisados para se ter o bem-estar. “Todos nós sabemos, todos os estudos atuais sobre felicidade destacam que a coisa mais importante para o bem-estar e a felicidade é a qualidade dos nossos relacionamentos pessoais. Não há como você ter uma vida boa sem ter bons relacionamentos. A não ser que você escolha viver isolado, num mosteiro, numa gruta, mas se você se relaciona, você tem que se relacionar bem para ter uma vida boa”, descreveu Leila.

 

Leila fala que existem preocupações com atividade física, alimentação e sono; todos são justos. Porém, a questão da gentileza, da desaceleração, do bom humor, das conversas de verdade, é essencial. “Hoje, se fala muito e se conversa pouco. Então, você falar em gentileza pode parecer bobagem, mas não é. Gentileza é qualidade de vida. O que meu entrevistado, nos Estados Unidos, autor de best-seller sobre gentileza, Dr. P.M. Forni, me falou na entrevista: ‘Gentileza é qualidade de vida por um motivo simples: a vida é feita de relacionamentos’. Então, para você ter uma vida de qualidade, você tem que ter relacionamentos de qualidade, e sem gentileza isso é absolutamente impossível, seja no ambiente de trabalho, seja em casa. Eu falo sobre as faltas de pausa na vida e a palestra talvez seja um intervalo, um espaço de tempo para parar e pensar juntos sobre coisas tão importantes que vêm ficando esquecidas, como a forma como tratamos o outro e valores que são fundamentais e estão esquecidos.”

 

A escritora salienta a importância de não ignorar a tristeza, de não se calar sobre as suas angústias e de não tentar mostrar uma felicidade que nem sempre está sentindo, pois isso é destituir a vida do que ela tem de mais rico. Para a palestrante, a vida, para ter sentido, precisa dessa costura de alegria e tristeza, felicidade e melancolia, angústia, ansiedade, esperança, sonho. “O que torna a vida rica é essa tessitura que ela tem, são muitos fios de densidade e cores diferentes. Às vezes, você acorda e está tudo diferente, tudo azul, pink; no outro dia, são 50 tons de bege, e no mesmo dia você vai de 50 tons de bege para um azul radiante. A riqueza da vida está nessa mistura, e quando a gente tenta negar a tristeza, só se sente mais triste e, o principal, a vida perde o sentido, vai ficando oca, vazia, e eu acho que a gente merece existências com mais significados”, detalhou.

 

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