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Infectologista alerta para perigos das "agulhadas" no carnaval; entenda

Especialista ressalta que a situação é preocupante. Além do HIV, outras doenças podem ser transmitidas

Publicado em: 22/02/2024 12:05

Agulhada no carnaval pode transmitir doenças  (Foto: Arquivo)
Agulhada no carnaval pode transmitir doenças (Foto: Arquivo)
O registro de ao menos 29 "agulhadas" no carnaval preocupa autoridades em saúde.
 
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde,  16 mulheres e 13 homens relataram terem sofrido 'picados",  entre os dias 9 e 15 deste mês.
 
Os pacientes informaram ter sofrido lesões com objetos pérfuro cortantes em Olinda e também no Recife. 
 
A pasta informou em nota que essas pessoas foram atendidas no Hospital Correia Picanço, no Recife.  
 
Diante desses casos, a médica infectologista Camila Martins aponta que a situação é alarmante.
 
Além de HIV, outras doenças podem ser transmitidas para essas pessoas.

Ela relembra registros como esse também foram feitos em 2019, durante o Carnaval do Recife e Olinda. 
 
"Em 2020, foram os casos mais expressivos, acho que foram mais de 200 registros. Este ano, a gente tem, pela Secretaria de Saúde, 29 casos. Isso é uma situação muito preocupante. A situação pode ocorrer em qualquer festa com grande aglomeração’’. 
 
Ela ressaltou que essa é uma situação em que, infelizmente, as pessoas podem ficar expostas. 
 
Marins alerta para riscos das agulhadas  (Foto: Divulgação )
Marins alerta para riscos das agulhadas (Foto: Divulgação )
"Então, quando a pessoa percebe que foi furada deve procurar a emergência do Correia Picanço, pois o acidente é com o pérfuro cortante de uma fonte não conhecida. A gente não sabe se aquela agulha está contaminada e se estiver, não sabemos com que tipo de coisa’’.
 
A especialista informou que o paciente é submetido a uma triagem sorológica, em que é feito o teste rápido para HIV, para ver se a pessoa já é portadora do vírus ou não. 
 
Também ocorre uma sorologia para hepatites e é feito o VDRL, o teste de sífilis, e o teste rápido de sífilis também, para ver se o paciente já não tem a doença. 
 
"Não tendo o vírus do HIV, o paciente recebe a profilaxia pós-exposição, que é o que a gente chama de PEP, com 28 dias de tratamento, com as medicações que são usadas no tratamento do vírus HIV.  Depois, ele retorna para o ambulatório de egresso para refazer as sorologias, para ver se houve soroconversão ou não. O ideal é que esse paciente busque essa emergência em até 72 horas do evento porque porque a profilaxia para o HIV só tem descrição em literatura de efetividade até 72 horas de exposição, passado disso a gente só pode fazer o controle’’.
 
Martins explica que a soroconversão acontece quando o corpo começa a produzir anticorpos para uma doença/vírus, sendo por uma nova infecção ou por exposição à vacina. 
 
A exemplo do HIV, o paciente quando soroconvertido, significa que ele tem o vírus. Já no caso de um paciente que toma vacina para Hepatite B e soroconvertem, entende-se que ele tem imunidade para a doença.
 
Histórico de casos

Em 2023, foram notificados dois casos de vítimas de agulhadas, no qual as agressões foram cometidas por pessoas não identificadas. 

Em 2020 - já que nos anos de 2022 e 2021 o carnaval não foi realizado por conta da pandemia de Covid-19 -, o Estado contabilizou 41 notificações de vítimas de agulhadas durante o período carnavalesco. 

No ano anterior, Pernambuco registrou a pior série de casos notificados, com um total de 273 casos denunciados. 

Na época, a SES informou que o total de pacientes que procuraram o Hospital Correia Picanço, no qual 157 vítimas realizaram a profilaxia pós-exposição (PeP) para prevenir a infecção pelo vírus HIV. 

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