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UNIÃO EUROPEIA

Eurodeputados pedem que UE garanta apoio à UNRWA

Eurodeputados instaram lideranças a garantirem que a agência continue a desempenhar o papel insubstituível de ajuda humanitária diária à população palestina

Publicado em: 22/02/2024 16:14

Por meio de um abaixo-assinado, 108 eurodeputados exigiram que a UE assegure o apoio à UNRWA (Foto: AFP)
Por meio de um abaixo-assinado, 108 eurodeputados exigiram que a UE assegure o apoio à UNRWA (Foto: AFP)
Por meio de um abaixo-assinado apresentado hoje, 108 eurodeputados de vários grupos políticos exigiram que a União Europeia (UE) assegure o apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), atualmente sob investigação.
Segundo o texto do documento, os eurodeputados instaram o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, a garantirem que a UNRWA continue a desempenhar o papel que classificam como insubstituível de ajuda humanitária diária à população palestina, principalmente na Faixa de Gaza.
 
Os eurodeputados afirmaram que é necessário assegurar que a UNRWA receba todas as contribuições que estavam previstas, apesar das suspeitas, levantadas por Israel, de que houve envolvimento direto ou indireto de alguns funcionários da agência nos atentados realizados pelo Hamas no dia 7 de em outubro no território israelita.
 
Por outro lado, o bloco europeu recusou responder hoje se vai fazer a contribuição, no final do mês. “O que posso dizer é que continuam discussões construtivas com a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, não vamos especular sobre contribuições. Deixamos claro que a ajuda humanitária vai continuar e só está prevista uma contribuição no final do mês, ainda não é altura de falar sobre isso”, declarou Ana Pisonero, porta-voz da Comissão da UE para as Parcerias Internacionais. 
 
Pisonero fez referência que a ajuda humanitária prestada pela União Europeia vai continuar, mas aludindo às outras organizações que a UE apoia nessa região. A sete dias do final de fevereiro, a Comissão Europeia ainda não decidiu se irá ou não fazer a contribuição de cerca de 82 milhões de euros que tem prevista a UNRWA.
 
Por usa vez, a UNRWA abriu um inquérito, após a acusação feita pelo governo de Tel Aviv, para apurar a participação, ajuda ou algum tipo de envolvimento de um grupo de 13 funcionários (um deles foi dado como morto e os demais demitidos) da organização no ataque de 7 de outubro. 
 
Em simultâneo, está sendo feita uma investigação independente conduzido por um comitê dirigido pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, com a colaboração de três centros de investigação: o Instituto Raoul Wallenberg, na Suécia, o Instituto Chr. Michelsen, da Noruega e Instituto Dinamarquês para os Direitos Humanos.
 
A suspeita levou diversos países, incluindo grandes contribuintes como os Estados Unidos e Reino Unido, a suspender a ajuda à agência da ONU. Enquanto isso outras nações reafirmaram que continuariam com o apoio financeiro, como a Espanha, Noruega, Irlanda e Portugal, este último inclusive anunciou, no início do mês, uma doação especial de um milhão de euros à UNRWA. Mas, a suspensão dos principais financiadores deste apoio põe em causa a capacidade de prosseguir na prestação de ajuda humanitária às pessoas de Gaza, sobretudo com o agravamento do conflito. 

Apelos da ONU e da OMS

O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, já apelou que os países não suspendam o financiamento a organização humanitária. “É chocante ver uma suspensão de fundos para a agência em reação às alegações contra um pequeno grupo de funcionários, especialmente tendo em conta a ação imediata que a UNRWA tomou ao rescindir os seus contratos e pedir uma investigação independente e transparente”, disse Lazzarini, que acrescentou que não será capaz de continuar as operações em Gaza e em toda a região após o final de fevereiro se o financiamento não for retomado. 
 
O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, também prometeu responsabilizar qualquer funcionário envolvido em atos de terror, inclusive através de processo criminal, e fez um apelo pela volta ao apoio à UNRWA. 
 
O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths, fez um chamado aos membros do G20, que estão reunidos no Rio de Janeiro nesta semana, para que eles usem a sua liderança e influência política para ajudar a pôr fim a guerra e salvar a população de Gaza. A avaliação do subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador da Ajuda de Emergência é que a situação em Gaza é incomparável na sua intensidade, brutalidade e alcance. “O silêncio e a falta de ação de vocês só contribuirão para que mais mulheres e crianças sejam jogadas nas valas comuns de Gaza”, afirmou Griffiths.
 
Os representantes da ONU reiteram que deixar a UNRWA sem financiamento levará ao colapso do sistema humanitário em Gaza.
 
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, endossou o pedido da importância na continuação da ajuda à agência. "As decisões de vários países de suspender os fundos para a UNRWA, a maior fornecedora de ajuda humanitária nesta crise, terão consequências catastróficas para a população de Gaza", advertiu. Tedros destacou ainda que nenhuma outra entidade tem capacidade para prestar a escala e a amplitude da assistência a milhões de pessoas que tanto necessitam e pediu aos países que suspenderam o suporte financiamento para reconsiderar a decisão.

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