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FUNCIONALISMO

Guedes diz que governo só consegue dar aumento de 5% aos servidores

Publicado em: 25/05/2022 18:33

 (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução
O governo consegue dar um aumento de 5% aos servidores neste ano, de acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que mandou o funcionalismo esquecer a correção pela inflação, porque "o mundo inteiro perdeu" durante a pandemia da Covid-19.

“A essência da política é essa, decidir o Orçamento”, afirmou Guedes, nesta quarta-feira (25), a jornalistas em Davos, na Suíça. O ministro ainda reconheceu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não conseguirá conceder aumento diferenciado aos policiais por conta da lei eleitoral.

O chefe da equipe econômica participa do Fórum Econômico Mundial, que reúne anualmente a elite global no resort suíço. Em relação às sinalizações de Bolsonaro, que prometeu reajuste aos policiais federais e que até sinalizou um aumento diferenciado para a categoria, Guedes tentou ser taxativo de que o espaço é para os 5% e nada mais. 

“Você pode até dar alguma coisa, mas esquece o que ficou para trás. Você acha que na Alemanha, nos Estados Unidos... Perdas acontecem. Todo mundo perdeu no mundo inteiro. Daqui para frente, é preciso manter?”, disse o ministro, de acordo com as agências de notícias.

O chefe da equipe econômica ainda lembrou que, no meio da pandemia, os servidores mantiveram seus salários e, em grande maioria, ficaram em casa durante a pandemia da Covid-19. Por conta disso, segundo ele, não houve reajuste do funcionalismo para que sobrasse dinheiro para a saúde e o combate à crise provocada pelo novo coronavírus.

“O funcionalismo está em home office, tem estabilidade, tem bons salários, então, neste ano, suspende o aumento. Fizemos isso, que nenhum prefeito consegue fazer porque vereador não deixa, nenhum governador. Pela primeira vez em 15 anos, zeramos o deficit em todos os níveis da Federação. Estamos numa situação ímpar. Agora, se você começa a dar aumento, voltamos à situação de antes”, afirmou Guedes aos jornalistas em Davos.

Apesar das pressões por reajustes que o governo têm sofrido dos servidores, o ministro também fez alerta sobre o problema da lei eleitoral que não permite aumento acima da inflação e, muito menos, um reajuste diferenciado para uma determinada categoria. “É por lei. Em ano eleitoral, você só pode dar até a inflação e linear. O presidente gostaria de dar aumento aos policiais, mas não pode, é visto como aliciamento”, frisou. 

Impacto fiscal

Pelos cálculos da pasta, o custo dessa medida, se for concedida de forma linear de 5% para todos os Poderes, será de quase R$ 8 bilhões, sendo que R$ 6,3 bilhões apenas para os funcionários do Executivo, conforme dados apresentados na semana passada pelo secretário especial do Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago.

Espaço fiscal para o reajuste, na verdade, não existe porque será preciso cortar mais do que os R$ 9,9 bilhões já anunciados no Orçamento deste ano para evitar estouro no teto de gastos — que já foi esticado em mais de R$ 100 bilhões neste ano por conta da mudança na metodologia.

A maioria das categorias pede aumento acima de 20%, para compensar o congelamento dos últimos anos durante a pandemia.

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