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EDUCAÇÃO E PANDEMIA

Simpere se opõe ao retorno presencial sem segunda dose de vacina para professores

Publicado em: 23/07/2021 19:26

 (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto
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Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto
Na tarde desta sexta-feira (23), representantes do Sindicato Municipal dos Professores da Rede Oficial do Recife (Simpere), deram uma entrevista coletiva expondo sua posição contrária ao retorno das aulas presenciais na rede municipal de ensino na última quinta-feira (22). 

A decisão de retomar as aulas presencialmente ainda em julho, na visão do sindicato, é uma postura arbitrária da Prefeitura do Recife, diante da imunização ainda incompleta dos profissionais da educação. 

O temor de um novo pico de infecções por Covid-19 eventualmente causado pela variante Delta do novo coronavírus também é apontado pelos professores. A classe reivindica o adiamento do retorno às escolas até o mês de setembro, com a manutenção do ensino remoto até lá.

Cláudia Ribeiro, coordenadora geral do Simpere, classifica como irresponsável a conduta da Secretaria de Educação do Recife. Ela destaca que durante todo o período de fechamento das escolas os professores trabalharam para que as atividades pedagógicas chegassem aos estudantes, apesar das dificuldades das famílias. 

Cláudia também afirma que a Prefeitura do Recife não forneceu estrutura tecnológica de equipamento e internet adequada e suficiente para alunos e estudantes nesse momento, aumentando as perdas de aprendizagem sofridas nesse período por ineficiência da prefeitura, que segundo ela, não ouve os apelos do sindicato. “Se tivesse estrutura, as mães e pais não teriam que escolher entre as crianças terem mais acesso aos conteúdos e o risco que estão correndo de serem contaminados”, afirmou a coordenadora.

Em uma reportagem publicada na última segunda-feira (19) pelo Diario de Pernambuco, a Secretaria de Educação do Recife afirmou, quando questionada sobre a vacinação dos professores da rede municipal, que “a vacinação não foi colocada como condição para a retomada de aulas presenciais em nenhum país do mundo e nem pelas principais entidades do mundo, tais como ONU e UNICEF”. Essa postura foi classificada pelo Simpere como “temerária”.

Questionada sobre o que os membros do sindicato ouvem como resposta ao levar suas reivindicações diretamente à secretaria, Cláudia Ribeiro conta que houve um encontro com o secretário de educação em que o sindicato reforçou argumentos com o panorama de dois meses, com o avanço do processo de vacinação. 

“Ele [o secretário Fred Amâncio] faz o mesmo discurso que tem feito. Diz que não há obrigatoriedade [da segunda dose], que está tudo sob controle, que as escolas não têm perigo e as crianças já sofreram muito prejuízo. É verdade, mas o prejuízo foi muito mais pelo não acesso [aos conteúdos] por falta de estrutura de conexão que quem tinha que garantir era a Prefeitura. Ele quer compensar a falta de estrutura que não garantiu como se a escola desse conta de todos esses procedimentos de segurança social”

O desejo da categoria, de acordo com Cláudia, é que a partir do mês de setembro a categoria e a prefeitura discutam as condições para o retorno à presencial idade, já com uma cobertura vacinal mais ampla entre professores, funcionários e a comunidade em geral acima dos 18 anos. "A maioria dos profissionais da educação ainda não têm a segunda dose. Nós queremos que as escolas abram, mas elas não podem reabrir com tamanha irresponsabilidade, colocando trabalhadores, crianças e a comunidade em risco".

O sindicato definiu, em assembleia, pela continuidade do ensino remoto. Parte dos profissionais voltou às escolas, mas segundo o Simpere, o sentimento entre os professores é de medo da doença e há, de acordo com representantes do sindicato, coação por parte da Prefeitura do Recife contra os professores. 

"Os professores estão muito temerosos, afirmam que sem a 2ª dose é impossível garantir as condições necessárias de trabalho. Infelizmente nessa luta pela vida a gente está sofrendo muita retaliação, a prefeitura está fazendo muita pressão com os professores, inclusive ameaçando desconto de dias de trabalho", afirmou a coordenadora do sindicato. Procurada, a Secretaria de Educação do Recife não respondeu os questionamentos enviados pela reportagem até o momento.

Questionada se há possibilidade de greve devido à postura da prefeitura, Cláudia respondeu que está discutindo o tema com a categoria, mas “não está dada para esse momento”. “A gente está mantendo as atividades remotas, qualquer outro passo de necessidade de organização, a gente, sim, vai ter que fazer porque não estamos defendendo reajuste salarial, embora fosse legítimo, mas hoje a essência da organização tem sido em defesa das nossas vidas”, explicou Cláudia.

A coordenadora geral do sindicato também se queixa da falta de diálogo por parte do poder público municipal com a categoria. "Infelizmente ele [o secretário de educação, Fred Amâncio] não está ouvindo as nossas reivindicações, que são baseadas em estudos científicos. A campanha da prefeitura parece que não se aplica a nós professores e se mantém irredutível numa atitude temerosa", disse a coordenadora do Simpere. 

Quebra de Protocolos 

Outro ponto questionado pelo sindicato é a possibilidade da quebra dos protocolos estabelecidos para segurança contra o vírus no ambiente escolar, que aumentaria os riscos diante de um cenário de retorno anterior à vacinação completa (com primeira e segunda dose). 

Essa queixa ganhou força após o retorno das aulas presenciais quando, durante uma entrevista do secretário municipal de Educação, Fred Amâncio, concedida a uma emissora de TV, as câmeras flagraram ao fundo pessoas se abraçando e uma estudante sem máscara.

“Se na própria entrevista do secretário de educação a gente já consegue identificar pelo menos duas infrações ao protocolo que eles mesmos elaboraram, imagine no dia a dia da escola sabendo que crianças mais jovens têm dificuldade de seguir esse protocolo. Fora outros problemas, com escolas pequenas, apertadas e pouco ventiladas”, questionou o diretor do Simpere, Igor Andrade.

Igor reforça que antes de mais nada, o que os professores desejam é estabelecer um canal de comunicação com o executivo municipal. “A gente chama o secretário de educação, Fred Amâncio, o prefeito da cidade do Recife, João Campos, para organizar um retorno seguro com professores, funcionários e auxiliares de desenvolvimento infantil com a 2ª dose de vacina no braço”, disse o diretor.
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