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Ônibus

Queima de parada e descumprimento de horário são as principais reclamações do passageiro na RMR

Publicado em: 21/09/2020 06:30 | Atualizado em: 21/09/2020 04:11

A linha mais reclamada pelos usuários em 2020, até o momento, é a 910 - Piedade/Rio Doce. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP.)
A linha mais reclamada pelos usuários em 2020, até o momento, é a 910 - Piedade/Rio Doce. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP.)

Queima de parada, falta de urbanidade (civilidade) e não cumprimento de horários. Há três anos consecutivos, esses pontos se revezam entre si como as principais queixas dos usuários de ônibus da Região Metropolitana do Recife ao órgão gestor do sistema, o Grande Recife Consórcio de Transporte. Os números parciais de 2020 estão menores dos anos anteriores (7.206 até 14 de setembro), mas entre 2018 e 2019, a quantidade de reclamações cresceu 20% (de 13.787 a 18.405). A linha campeã de críticas é a 910 - Piedade/Rio Doce. Entretanto, as empresas operadoras garantem que tomam as medidas necessárias para diminuir possíveis desconfortos.

Os dados foram obtidos pelo Diario por duas fontes: a Lei de Acesso à Informação e o Grande Recife. Nos últimos três anos, foram 13.918 queixas de queima de parada (5.670 em 2018, 6.108 em 2019 e 2.140 em 2020). O tópico liderou o ranking em 2018 e 2019, mas em 2020 perdeu o posto para o não cumprimento do quadro de horário, que ocupava a segunda posição nos dois anos anteriores. A falta de urbanidade - desentendimentos de motoristas e/ou cobradores com passageiros - figura nos três anos como a terceira reclamação mais recorrente (2.447 em 2018, 2.748 em 2019 e 628 em 2020).

Linha mais extensa de todo o sistema de transporte público metropolitano - percurso de 75 quilômetros cortando Jaboatão dos Guararapes, Recife e Olinda em uma viagem de, em tese, 2h30 -, a 910 - Piedade/Rio Doce é também a mais criticada do sistema. Entre 1º de janeiro e 14 de setembro deste 2020, aparece com 216 reclamações. Em segundo lugar, vem a 050 - PE-15/Boa Viagem, com 133. E em terceiro, a 645 - Av. Norte (Macaxeira), que acumula 125 queixas de passageiros. Mais dados você pode conferir abaixo, no infográfico.

Morador de Rio Doce, o estudante Daniel Galvão, de 16 anos, ainda lembra da última raiva que passou com a 910. “Eu e meus amigos tínhamos saído do treino e fomos para a parada. Demorou meia-hora para passar um Rio Doce/Piedade e, quando apareceu, a gente botou a mão e o motorista passou direto. Já aconteceu muito comigo, mas meus amigos ficaram muito furiosos. Tem que ter mais cuidado com isso”, opina.

A recepcionista Lucibelle Augusta, 30, não usa a 910, mas já vivenciou os três tópicos mais reclamados do levantamento. “Queima de parada mesmo é uma coisa que dá raiva. Tem motorista que, quando vê um ônibus parado em frente ao ponto de ônibus, muda de via no trânsito e vai por fora, aproveitando para pular a parada. Nem adianta dar a mão e lá vai você esperar de novo outro”, diz ela, que mora em Maranguape. “Eu sempre ligo para o Grande Recife para reclamar. A gente tem que falar, senão não muda nada”, ressalta.

O cotidiano dos usuários de ônibus também é feito de situações desagradáveis que nem sempre aparecem nos primeiros lugares das listas de queixas. A jovem Laís Priscilla, 19, sentiu-se desrespeitada quando um motorista se recusou a abrir a porta do meio para que ela entrasse com o filho Luan Victor, de 1 ano e dois meses. Neste caso, mesmo com o horário cumprido, o serviço deixou de ser prestado. "Eu estava na parada com meu marido e meu filho no braço. O ônibus estava cheio na parte da frente. A gente pediu para que o motorista abrisse a porta do meio, mas ele se negou. Dá raiva lembrar, mas também só aconteceu essa vez, porque tem motorista que é gente boa", contemporiza.

Empatia tem que ser via de mão dupla
Na visão do gerente de relacionamento do Grande Recife, Marcus Petrônio, a queima de parada e a falta de urbanidade são questões comportamentais. “Tudo é muito atrelado a isso. É análogo a uma pessoa que, no trânsito, sabe que não pode dirigir usando o celular, mas continua fazendo e leva uma, duas, três multas por isso”, explica ele, que acredita que as pessoas hoje estão mais conscientes de seus direitos e vê muitos jovens dando feedback, especialmente depois que foi criado o WhatsApp do órgão - (081) 99488-3999 -, um dos principais meios de fazer uma reclamação. 

“Se há uma queima de parada, é por causa do motorista. E qualquer falta de gentileza pode virar falta de urbanidade. A cada seis meses, fazemos capacitações com as empresas operadoras e um dos itens é o respeito ao passageiro. Também temos o projeto E Se Fosse Você, em que colocamos motoristas e cobradores no lugar de um usuário com dificuldades, como idoso, deficiente, obeso, para ajudar na sensibilização”, explica. 

Mas também não basta só o motorista e o cobrador fazerem a sua parte. “O usuário também pode ser um problema. Se ele fura fila, entra sem pagar, sobe e não usa máscara no ônibus, viaja bêbado, apresenta comportamento agressivo, o condutor tem todo o direito de parar e mandar descer. Mas por questões de segurança, ele só vai fazer isso quando estiver perto de uma viatura policial, com um certo apoio”, pondera. 

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Aldo Lima, avalia que isso é reflexo da pressão que os trabalhadores passam, especialmente por causa da dupla função, com a retirada dos postos de trabalho dos cobradores. “Ser motorista, por si só, já é um trabalho de alto estresse. Já precisava de um controle emocional grande. E isso se tornou ainda mais difícil com a dupla função, que vem se aprofundando nos últimos três anos e contribui, sem dúvida alguma, nesse mau atendimento”, opina.

Um motorista de 52 anos, que não quis se identificar, endossa a questão. “A dupla função é um serviço árduo. Você perde muito tempo, não consegue fazer seus horários de viagens direito, perde tempo de repouso, café da manhã. Só há obrigações e nenhum retorno por parte das empresas”, lamenta. “Eu sempre fui um cara muito calmo e busco ter o controle. Preciso ficar focado, não posso errar. E não digo isso pelo dinheiro, mas porque há vidas dentro do coletivo”, revela.
'Eu sempre ligo para reclamar. A gente tem que falar, senão não muda nada', diz a recepcionista Lucibelle Augusta. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP.)
'Eu sempre ligo para reclamar. A gente tem que falar, senão não muda nada', diz a recepcionista Lucibelle Augusta. (Foto: Bruna Costa/Esp. DP.)

Urbana defende mais corredores exclusivos
Em nota ao Diario, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) reforça que as operadoras buscam fazer sua parte. “Com relação às reclamações de não cumprimento de quadro de horário, o setor tem defendido e contribuído com projetos e estudos para a implantação de faixas e corredores exclusivos para os ônibus como forma de minimizar o impacto dos congestionamentos, conferindo maior regularidade à operação e garantindo o cumprimento dos horários estabelecidos pelo órgãos gestor”, aponta.

“As empresas têm também investido significativamente no monitoramento e em novas tecnologias embarcadas que permitem maior controle e acompanhamento da operação. Ocorrências como eventuais solicitações de embarque não atendidas são apuradas e, quando comprovadas, direcionam as constantes ações de capacitação e treinamento das empresas, que também contemplam temas como direção defensiva, convívio com ciclistas e qualidade no atendimento”, prossegue.

Ao fim da nota, a Urbana pontua que “este ano o sistema operou com normas diferenciadas para atendimento, proibindo o embarque de novos passageiros a depender do nível de ocupação do veículo, o que pode ter afetado as estatísticas sobre este tipo de ocorrência”.

Até o momento, na Região Metropolitana, só a capital avançou na criação de faixas exclusivas para ônibus. Segundo a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), o projeto começou em 2013 e já existem "cerca de 62 km de corredores exclusivos para transporte público, sendo 40 km de Faixa Azul, localizadas nas avenidas Recife, Mascarenhas de Moraes, Herculano Bandeira/Engenheiro Domingos Ferreira, Conselheiro Aguiar, Agamenon Magalhães, além das ruas Real da Torre e Cosme Viana".

Olinda, até o momento, conta com uma faixa exclusiva na Avenida Olinda, a ser entregue ao público nesta semana. "A novidade vai proporcionar um ganho de tempo para os usuários de 25 linhas de ônibus que utilizarão o corredor, de 700 metros. A sinalização aérea já foi implantada. Nos próximos dias será feito o mesmo com a horizontal e a pintura da faixa. O investimento para o novo serviço é de pouco mais de R$ 70 mil", informa o município, em nota. Por fim, a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes diz que "está realizando um estudo para avaliar onde é possível criar faixa azul".

Para fazer uma reclamação, há três caminhos
- WhatsApp do Grande Recife - (081) 99488-3999.
- Redes sociais do Grande Recife - consorcio.oficial no Facebook, @GrandeRecife no Twitter e @granderecifeoficial no Instagram.
- Telefone 0800-081-0158.
- Indo presencialmente à sede, no Cais Santa Rita, Centro do Recife,

A pessoa deve ter informações básicas, como número de ordem do veículo (que fica na frente, atrás, nas laterais e em cima do ônibus), nome da linha, horário e local do incidente. “Precisamos disso para apurar o que aconteceu e, se for o caso, notificar e multar a empresa”, conta Marcus Petrônio, do Grande Recife.
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