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Pompeo chega a Roraima e Maia critica visita: "Afronta à autonomia" nacional

Publicado em: 18/09/2020 20:59 | Atualizado em: 18/09/2020 21:16

 (Foto: Jason Leysner/AFP)
Foto: Jason Leysner/AFP

A chegada do chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, a Roraima, nesta sexta-feira (18/9), foi alvo de críticas por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). A visita do secretário de Estado de Donald Trump "não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa", afirmou o parlamentar em nota.

Pompeo chegou à tarde a Boa Vista para conhecer a Operação Acolhida, ação de recebimento de refugiados venezuelanos pelo Brasil. Lá, foi recebido pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que ao lado do presidente Jair Bolsonaro já fez duras críticas ao governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Desde que foi anunciada, essa parte da curta viagem do secretário americano pela América do Sul foi alvo de críticas, por transparecer um claro recado ao governo de Maduro, que os Estados Unidos querem fora do poder.

No início da semana, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, responsável pela diplomacia nacional durante o governo Lula, definiu a decisão do governo de receber Pompeu na fronteira com a Venezuela de uma "provocação evidente". Para Amorim, ao agir assim, o Brasil se deixa utilizar pelos Estados Unidos na interferência em um país vizinho e traz riscos de instabilidade e até mesmo conflitos para o continente sul-americano.

Nesta sexta-feira, as críticas vieram de Maia. "Como Presidente da Câmara dos Deputados, vejo-me na obrigação de reiterar o disposto no Artigo 4º da Constituição Federal, em que são listados os princípios pelos quais o Brasil deve orientar suas relações internacionais. Em especial, cumpre ressaltar os princípios da: (I) independência nacional; (III) autodeterminação dos povos; (IV) não-intervenção; e (V) defesa da paz", escreveu o presidente da Câmara no comunicado (leia íntegra abaixo).

Um comunicado da Embaixada dos Estados Unidos afirma que a visita serviria para "ressaltar a importância do apoio dos EUA e do Brasil ao povo venezuelano em seu momento de necessidade". O texto afirmava ainda que Pompeo conversaria com "migrantes venezuelanos que fogem do desastre provocado pelo homem na Venezuela".

"Maduro deve sair"

Também nesta sexta-feira, Pompeo esteve na Guiana e no Suriname, para se reunir com o presidente Chan Santokhi. A viagem terminará no sábado (19/9), na Colômbia, onde o secretário se reunirá com o presidente Iván Duque, outro feroz crítico a Maduro.

Na Guiana, Pompeo voltou a criticar Maduro: "Sabemos que o regime de Maduro dizimou o povo da Venezuela e que o próprio Maduro é um traficante de drogas acusado. Isso significa que ele tem que partir", afirmou.

Confira a nota de Rodrigo Maia na íntegra:

"A visita do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa.

Como Presidente da Câmara dos Deputados, vejo-me na obrigação de reiterar o disposto no Artigo 4º da Constituição Federal, em que são listados os princípios pelos quais o Brasil deve orientar suas relações internacionais. Em especial, cumpre ressaltar os princípios da: (I) independência nacional; (III) autodeterminação dos povos; (IV) não-intervenção; e (V) defesa da paz.

Patrono da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco deixou-nos um legado de estabilidade em nossas fronteiras e de convívio pacífico e respeitoso com nossos vizinhos na América do Sul. Semelhante herança deve ser preservada com zelo e atenção, uma vez que constitui um dos pilares da soberania nacional e verdadeiro esteio de nossa política de defesa."

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