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Maia: ato contra STF é inaceitável e participação de Bolsonaro é muito ruim

Publicado em: 01/06/2020 20:17 | Atualizado em: 01/06/2020 20:41

 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou como “inaceitáveis” as manifestações contra o Supremo Tribunal Federal (STF) ocorridas no fim de semana. Para ele, a participação do presidente Jair Bolsonaro nos atos é “muito ruim” e a consequência pode ser um aprofundamento de uma das maiores crises da história do país. O deputado comentou o assunto em entrevista ao portal Uol, nesta segunda-feira (1º).

Maia criticou a mobilização de domingo (31), pautada em demandas inconstitucionais, como pedido de fechamento do STF, do Congresso e até intervenção militar. Em alguns locais, os manifestantes fizeram referências neonazistas. “É inaceitável que se exista, que se faça uma mobilização e que tenha respaldo do governo. Um governo eleito de forma democrática precisa respeitar as instituições democráticas", afirmou, citando o agravante de os atos terem ocorrido no meio de uma pandemia.

O deputado criticou a ida de Bolsonaro à manifestação, sem máscara, e lembrou que não é a primeira vez que o chefe do Executivo participa desse tipo de movimento e estimula aglomerações, enquanto o número de mortes pela Covid-19 no Brasil se aproxima de 30 mil. “Muito ruim, porque, na semana passada, ele foi às manifestações”, lembrou. “Sem dúvida nenhuma, nós devemos criticar e condenar uma atitude como essa”, disse Maia.

Ele também mencionou a volta a cavalo do presidente na manifestação. “O último que andou a cavalo na Esplanada foi o general Newton Cruz. Não são imagens positivas e de boas lembranças para o Brasil", comentou Maia. O militar agrediu ao vivo o jornalista Honório Dantas, em 1983, durante a ditadura militar, ao ser questionado sobre atitudes antidemocráticas. O vídeo do momento voltou à tona recentemente, diante de comportamentos parecidos por parte de Bolsonaro, que, mais de uma vez, mandou repórteres “calarem a boca”.

Para Maia, também não foi uma boa sinalização o fato de o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, ter acompanhado o ato de helicóptero, com o presidente. “Eu acho que o ministro da Defesa, com todo respeito e admiração, andar no helicóptero com o presidente da República, voar de helicóptero, para olhar uma manifestação contra o STF? Não é sinalização positiva e isso vai gerando consequências”, afirmou.

Mesmo com as ameaças, o deputado não acredita em uma ruptura institucional ou em um golpe militar. Ele confia que “a grande maioria da população discorda, diverge e não aceita que os valores democráticos sejam desrespeitados” e ressaltou que os ministros do governo não representam os militares da ativa. “A sociedade majoritariamente rechaça qualquer ameaça à nossa democracia. E não vejo nas Forças Armadas nenhum respaldo a esses movimentos políticos”, explicou.

Julgamento
Para Maia, ameaças aos ministros do STF devem ser investigadas por ultrapassarem o limite de críticas democráticas e da liberdade de expressão. “Acho que a Justiça tem que, respeitados os limites da lei, tomar decisões e decisões duras em relação às ameaças que se fazem aos ministros do STF”, afirmou.

"Ameaçar a vida do ministro, a vida de um parlamentar, ameaçar ir à porta da casa de um ministro para agredi-lo passa do limite da liberdade democrática e da liberdade de expressão", disse Maia. "O que não pode é milhares de robôs criando uma narrativa com pessoas estimulando ódio às instituições do Brasil”, defendeu o presidente dia Câmara. 

Além de criticar as manifestações contra o STF e o Congresso que aconteceram neste domingo (31) em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, Maia comentou a gravidade do ato de sábado (30), em frente ao STF, no qual apoiadores de Bolsonaro usaram tochas e máscaras. As imagens lembram ações do grupo supremacista branco Ku Klux Klan (KKK), nos Estados Unidos.

"Grave. Grupo minoritário, racista, com esse simbologismo da Ku Klux Klan. Inaceitável que se faça um evento desse no sábado à noite em frente ao STF. O que eles querem? Intimidar o Supremo pelas decisões que o Supremo toma?", questionou. O objetivo das ameaças, na visão dele, é “impedir que o outro cumpra suas funções constitucionais”. “Não quer que o ministro continue investigando as questões das fake news”, apontou.
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