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Crises castigam Elizabeth II na terceira temporada de 'The crown'

Publicado em: 15/11/2019 11:45 | Atualizado em: 15/11/2019 11:50

A atriz britânica Olivia Colman interpreta a tensa e reprimida Elizabeth II.
 (Foto: Sophie Mutevelian/Divulgação.)
A atriz britânica Olivia Colman interpreta a tensa e reprimida Elizabeth II. (Foto: Sophie Mutevelian/Divulgação.)

Quando a crise chega, ela não poupa ninguém. Nem mesmo os Windsor. Com lançamento no domingo (17), a terceira temporada de The crown (Netflix) percorre 13 anos – de 1964 a 1977, até o jubileu de prata da rainha Elizabeth II – em meio a muitos problemas, de ordem pública e privada.

Crise institucional – com a ascensão dos trabalhistas, a monarquia se vê sucessivamente contestada. Crise financeira – que levou à desvalorização da libra e ao pedido de ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Crise de meia-idade – tanto a rainha quanto o príncipe Philip se veem chafurdados no dia a dia de compromissos maçantes e inúteis. Crise familiar – a princesa Margaret é um poço de problemas; o príncipe Charles não é exatamente o que a Coroa espera dele. Crise energética – uma greve gera cortes, colocando o país no escuro.

Mais bem realizada série histórica nestes tempos de produção de massa, The crown chega ao terceiro ano com novo elenco e clima geral de ressaca. Saem de cena a impulsividade e o frescor dos jovens soberanos, dando lugar ao casal real um tanto envelhecido (eles têm 40, mas portam-se como se tivessem 20 anos a mais) e com certa dose de amargura.

A temporada é menos glamourosa. Porém, como realização, The crown mantém o nível dos anos anteriores. Emociona, indigna, diverte e, a despeito das várias licenças artísticas (afinal, não há como saber o que disseram os membros da realeza dentro dos portões do Palácio de Buckingham), humaniza, com alguma verossimilhança, aquelas pessoas inacessíveis à plebe.

É de costas que a nova/velha Elizabeth nos é apresentada. Em 1964, quando a temporada tem início, a soberana tem 38 anos. “Velhota?”, questiona a rainha ao comparar seu antigo perfil ao atual nos novos selos do Royal Mail. Olivia Colman, agora amparada pelo Oscar de melhor atriz (pela rainha Anne, vamos dizer, bem mais mundana do que a rígida Elizabeth), não busca mimetizar sua antecessora no papel, Claire Foy.

Se nas duas temporadas iniciais a Elizabeth de Foy era puro brilho (até a maneira como respirava encantava o espectador), a nova intérprete busca a introspecção. Olivia Colman está sempre tensa e reprimida. Pouco sorri. Mas quando deixa a máscara da Coroa, atinge o ponto certo – tudo muito econômico, sem arroubos.

“Olivia é uma mulher comum. Ela tem a humildade que, acho, a rainha também tem, pois se sente como uma mulher comum presa a uma situação extraordinária”, comentou recentemente Peter Morgan, o criador da série.

Com elenco fora da curva, a nova temporada dá aos outros a chance de brilhar. Sai de cena o arrogante e autocentrado príncipe Philip de Matt Smith, agora um consorte entediado e ferido interpretado por Tobias Menzies – mais de uma vez, ele consegue se sobrepor à imagem da rainha criada por Olivia. Brilhando sempre por vias tortas, Helena Bonham Carter empresta um desdém à princesa Margaret, sufocada pela vida inerte da realeza – a atriz domina a cena do segundo e do 10º episódios, com interpretações distintas.

Em papéis menores vale destacar a Anne de Erin Doherty, a semelhança é impressionante com a irmã mais nova do príncipe Charles na juventude – o papel garante leveza e inteligência ao cotidiano um tanto modorrento dos Windsor. E para quem já está de olho em tempos mais atuais, é nesta temporada que tem início uma das histórias de alcova mais ruidosas da família real britânica no século 20.

O oitavo e o nono episódios introduzem Camila Shand (Emerald Fennell) como a paixão de um inseguro e deslocado príncipe Charles (Josh O'Connor). É um bom aperitivo para a quarta temporada, na qual surge Lady Diana. Já filmada, estreia em 2020, mas a data ainda não foi anunciada.

THE CROWN
. Terceira temporada
. 10 episódios
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