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OBSERVATÓRIO ECONÔMICO

Muito barulho por nada

Publicado em: 08/04/2019 13:32

A primeira semana de abril foi pródiga em discussões. De Jerusalém a Brasília não faltaram discursos inflamados, bravatas e provocações sobre temas sem fim, e que levaram rigorosamente a coisa nenhuma. A cereja do bolo foi a discussão no Congresso entre o ministro Paulo Guedes e a oposição, que na forma de uma discussão infantil lembrou a nação que mesmo homens letrados, podem passar horas e horas debatendo sem que nada seja debatido.

Em meio ao recrudescimento na polarização entre direita e esquerda pela primazia nas políticas de crescimento, como se em algum lugar algum país tivesse se desenvolvido de forma polarizada seja para um lado ou para o outro, surgiu na imprensa uma notícia que, ao menos para mim, me pareceu interessante. O Vietnam ultrapassou o Brasil em exportações, segundo os dados da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Como assim? O Vietnam? Aquele país comunista na Ásia, que mesmo derrotando os americanos na década de 1960 perdeu milhões de vidas e foi arrasado por mais bombas que toda a Europa na segunda guerra? Só poderia ser um erro... mas não é. Talvez seja um revival, afinal no início do século XX a Indochina (como se a chamava a região onde está também o Vietnam) varreu nossa borracha do mercado internacional. Observando-se então a composição das exportações daquele país, para comparar com nossos commodities, uma surpresa, elas exportam principalmente produtos industrializados, inseridos na vasta cadeia de eletroeletrônicos presente em toda a Ásia. E seu principal parceiro comercial...Estados Unidos, seguido da China.

Mas o Brasil não é uma grande potência do mercado internacional, com nossos commodities agrícolas e o pré-sal? Potência pode até ser, mas resultado que é bom, nada. Enquanto nossos parlamentares discutem seus privilégios, e se os membros do atual governo são tchutchucas ou tigrões, discussões e decisões importantes para a nação ficam em segundo plano. A reforma da previdência é necessária? Evidente que sim, a participação dos gastos com inativos é alarmante, cresce ano a ano e tende a piorar com a mudança da composição etária da população. E lá faz alguma diferença se vai jogar a conta na seguridade ou no orçamento? O rombo está lá e precisa ser coberto, de um jeito ou de outro, seja com contribuições ou novos impostos.

E é só o primeiro passo, ainda há muitos na agenda. A reforma tributária deve vir a seguir, quem sabe? Nela há inúmeros gargalos a serem superados e, quiçá, seja feita uma conexão com uma política industrial. Não aquele desastre que foi feito no governo Dilma, mas na linha de criar setores competitivos e, como todos fizeram, com apoio do estado como parceiro e não como financiador a fundo perdido e/ou comprador compulsório.

Depois, ou em paralelo, contanto que venha, temos a educação. O MEC anda uma praça de guerra ultimamente, com facções autoproclamadas de direita e extrema-direita tentando impor linhas ainda obscuras de ação, em contraponto ao que vem sendo feito nas últimas décadas. É o pior dos mundos, pois a qualidade do ensino brasileiro, notadamente o fundamental, está entre as piores possíveis e o que temos hoje é a opção entre o que não funciona e o que parece que não vai funcionar. 

Não há qualquer dúvida que depois do desastre econômico do governo Dilma, a implantação de políticas econômicas ortodoxas levou à recuperação da economia, e do emprego. Os dados disponíveis são bem claros nisto, sejam eles oriundos das estimativas do PIB, do CAGED ou da PNAD. Porém, a dinâmica da recuperação está longe de ser sequer razoável e ao invés de discutirmos soluções estamos criticando alternativas. Não admira que o Vietnam nos ultrapasse nas exportações, afinal gostamos de fazer muito barulho por nada, e eles ao que parece preferem ganhar dinheiro. Menos proselitismo e mais pragmatismo, o Brasil agradece.

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