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O mangue nos bastidores

Segunda temporada de 'Lama dos dias', de Hilton Lacerda, chega ao Canal Brasil trazendo processo criativo da cena do cinema e da música do Recife em 1994

Publicado em: 24/05/2024 06:00 | Atualizado em: 24/05/2024 17:36

 (Farmácia (Geyson Luiz), protagonista da série. Divulgação)
Farmácia (Geyson Luiz), protagonista da série. Divulgação

A grande virada cultural e de comportamento pela qual Pernambuco passou durante a década de 1990 é o tema sobre o qual a série Lama dos dias, iniciada em 2018, busca fazer uma radiografia que soa ao mesmo tempo como documentação e ficcionalização. Após boa repercussão da primeira temporada e necessidade de expandir a ideia para outro recorte da mesma década, chega hoje ao Canal Brasil, a partir das 21 horas e em forma de maratona, a segunda temporada, novamente com direção do pernambucano Hilton Lacerda e roteiro dele em parceria com Lais Araújo, Dillner Gomes e Helder Aragão, que dirige os curtas animados que abrem cada um dos sete episódios.

 

A trama, ambientada no Recife de 1994, segue os jovens Farmácia (Geyson Luiz), que tenta de todas as maneiras viabilizar a produção de um filme, e EZK (Matheus Tchoca), cujo sonho é organizar um festival de música. Entre narrativas que se entrelaçam, entram em cena ainda jornalistas de São Paulo que se interessam pelo movimento que está surgindo na região e cada vez mais se envolvem com a produção cultural do Recife. Espaços célebres da cidade, portanto, se tornam cenário cotidiano desses personagens através de uma linguagem contemporânea que, ao mesmo tempo, recupera a energia de efervescência que esses personagens - parcialmente inspirados em figuras reais - transmitem em sua arte.

 

No roteiro e na direção, Hilton Lacerda reconta histórias de conhecidos e ficcionaliza em cima de outras que fizeram parte da cena do cinema e da música do período, entre as quais ele mesmo e o próprio Hélder (o DJ Dolores). A ideia na nova temporada é explorar ainda o veloz processo de mudança entre o ano de 1990, no qual a temporada anterior se passava, e 1994, quando o lançamento de três curtas em particular, referendados na série por pseudônimos, e suas trilhas sonoras representaram uma fase crucial do Manguebeat. No elenco, também estão nomes como Alana Ayoká, Nash Laila, Tavinho Teixeira, Carol Cavesso, Edson Vogue, Isadora Gibson, Ênio Damasceno, Thiago Mercês e Negrita MC, além de participações especiais de Marcélia Cartaxo, Túlio Starling, Caio Macedo e Louise França, filha de Chico Science, pessoa central no movimento.

 

Ao Viver, Hilton falou sobre o retrato da época que a série faz e o que os personagens representam dentro daquele contexto. “Farmácia é um espelho de um certo abuso misturado com um encantamento, uma gambiarra criativa que transformou a cultura do Recife naquele período. Era uma geração, da qual eu faço parte, em que desejávamos muito sair daquele momento da música dos anos 1980 muito centralizada nos eixos sul-sudeste e só com gente muito bonita e bem vestida o tempo inteiro. Esse movimento veio para desestabilizar isso e propor novas formas inclusive de beleza. Essa radiografia através das pessoas envolvidas nessa época é a principal ideia da série, que esperamos que tenha uma nova temporada passada anos depois para que possamos explorar um outro momento de grande mudança", explicou Hilton.

 

"O curta é uma metáfora do manguebeat, do espírito do manguebeat. É uma metáfora bastante radical porque os personagens vão buscar a cura, a solução para um problema no centro da Terra, soterrado pelas várias camadas de areia e cimento, tem um pouco do espírito do manifesto dos caranguejos com cérebro. A gente tentou trazer essa leitura de uma forma mais lúdica, divertida e com esse toque de ficção científica que também era um tipo de cultura literária muito presente no núcleo inicial do manguebeat", comentou também Hélder (Dolores).

A partir do dia 27 até o dia 31 de maio, Hilton realizará um curso presencial de roteiro para audiovisual na Casa Estação da Luz, em Olinda, como nome de “A palavra, a costura, o corte e a linha”. O cineasta construiu o curso a partir de sua vivência como diretor de filmes como Tatuagem e Fim de festa e roteirista de filmes como Baile perfumado, Amarelo manga e Tatuagem, entre outros.

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