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DOCUMENTÁRIO

Curta sobre os Irmãos-Evento está em processo de financiamento coletivo

Publicado em: 08/06/2022 20:58

 (Divulgação. )
Divulgação.
Lembrados com grande afeto pelos próximos e queridos por aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-los, os Irmãos-Evento, como eram chamados Joel e Abrahão Datz, foram alegria e alma das festividades do Recife das últimas quatro décadas. De origem judaica, os irmãos, já nos anos 1990, tinham marcado presença em quase todas as principais atrações da cidade, tornando-se até tema da canção de Capiba, De olho na mordomia. Mesmo após o falecimento de Abrahão, que sofreu um infarto em 1995, Joel continuou por 25 anos vivendo no casario de sua família, no bairro da Boa Vista, tendo frequentado mais de 60 mil eventos ao longo dos seus 75 anos.

No próximo dia 16 de junho, completará um ano de sua morte, e as suas muitas histórias serão contadas no curta-documentário A vida evento, dirigido por Amanda Nascimento e produzido por Guilherme Zaicaner. Para se concretizar, o filme está em processo de levantamento de recursos através de vaquinha online.

Muitas imagens da vida dos Irmãos-Evento acabaram se perdendo, mas a produção do filme continua reunindo todo o material possível, pelo e-mail avidaevento@gmail.com. A ideia é narrar o perfil de Joel e mostrar como era a vida de alguém que vivia basicamente de frequentar festas livremente. Para Zaicaner, que nos anos 1990 fez trabalho de conclusão de curso sobre a dupla, eles criaram a “eventologia” na cidade e transformaram isso num objetivo de vida, virando ícones onde estavam.

O produtor, que também é judeu, conheceu de perto a realidade de Joel - dos inúmeros momentos festivos até os últimos dias de vida - e afirma também que ele tinha na cabeça que era possível viver da forma como ele vivia sem nenhum centavo no bolso, portando apenas a roupa do corpo e seu alto astral inexorável. “Joel tinha um caso de amor com Recife. Ele se identificava com cada canto da cidade, festejava cada movimento ou manifestação cultural e conhecia absolutamente todo mundo que se pudesse imaginar”, afirma. “O que mais valia para ele era estar com as pessoas, contar história e estar no centro da ‘gréa’. Essa é uma palavra que define muito quem eram os Irmãos-Evento. O negócio deles era se divertir e levar alegria aos outros - e isso virou realmente uma filosofia. Ou seja, era uma gréa organizada”, comenta Guilherme.

O produtor também destaca o paradoxo que era a vida de Joel, que descreveu como um escravo da liberdade. “Numa vida como a que ele levava não cabiam filhos, cachorro ou relacionamento. Ninguém que dependesse de uma vida com ele, na verdade, pois ele é que dependia dessa liberdade para viver. E viveu. Minha admiração por ele sempre foi enorme. Era um espírito de luz mesmo, ao conversar com ele era como se você fosse levado para um ambiente somente de alegria e de coisa boa.”

A diretora Amanda Nascimento, que já trabalha há muitos anos com audiovisual e também já conhecia Joel, se reuniu com o produtor para começar a pensar nessa narrativa que homenageia e realmente busca entender, através da linguagem do documentário, essas figuras tão marcantes e cheias de mistérios e paradoxos.

“Eu fui vizinha de Joel durante muito tempo e, como jornalista e alguém que sempre trabalhou muito na área cultural, especialmente do audiovisual, eu já conhecia bem a figura dele. O interessante é que ele também já me conhecia do jornal e da TV; era uma pessoa que, mesmo não tendo sido conectado nas redes ou ter tido sequer telefone, lia muito e estava sempre sabendo de tudo. Eu o encontrava em todo lugar, na rua lendo, no ônibus, nas mostras de cinema”, relembra. “Era um ataque de fofura e queria sempre o bem das pessoas. Um dos dias mais tristes foi o de saber que Joel não estaria mais aqui. Tudo que eu queria era ter levado um bolinho para ele, ter ficado conversando como outrora. Nunca foi perda de tempo estar com ele.”
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