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LITERATURA

Livro conta a história de Pernambuco a partir de 65 ensaios biográficos

Publicado em: 09/09/2021 08:56 | Atualizado em: 09/09/2021 11:27

 (Foto: Cepe/Divulgação)
Foto: Cepe/Divulgação

A história de Pernambuco é como uma espécie de tesouro ainda oculto: guarda descobertas a cada folheada em livros, no mergulho em arquivos ou nas informações orais da memória popular. O jornalista e escritor Paulo Santos de Oliveira foi um dos tantos pernambucanos que se dispôs a explorar essa riqueza. Entre 2016 e 2017, às vésperas do bicentenário da Revolução de 1817, ele assinou, no Diario, 50 ensaios biográficos de personalidades que marcaram a história do estado ao longo de cinco séculos. Agora, juntamente com 15 perfis inéditos, as minibiografias estão compiladas no livro Pernambuco, histórias e personagens (443 páginas), lançado nesta quinta-feira (9) pela Cepe, em evento virtual no canal da editora no YouTube.

A partir das 19h, o autor conversa com Caesar Sobreira, professor de Antropologia da UFRPE, que assina o prefácio da obra, e o advogado Maurício Rands, que convidou Paulo para iniciar esse projeto quando era presidente do Diario. George Cabral, professor de História da UFPE e presidente do Instituto Arqueológico de Olinda, fará a mediação.

Em Pernambuco, histórias e personagens, cada ensaio tem, em média, quatro páginas e uma ilustração do quadrinista e ilustrador da Cepe, Pedro Zenival. O texto tem linguagem acessível e coloquial, já que o objetivo é democratizar as informações sobre o passado do estado. Os perfis são organizados em ordem cronológica, separados também por fases e acontecimentos políticos. Duarte Coelho Pereira abre o livro com a Nova Lusitânia (1535-1635), enquanto Maurício de Nassau e Ana Paes figuram o Tempo de Nassau (1637-1645). O conteúdo atravessa períodos como a Restauração Pernambucana, Quilombo dos Palmares, Guerra dos Mascates, Revolução de 1817, Confederação do Equador, República Velha, entre outros.

"O projeto pensa em uma história a partir de personagens no contexto em que viveram. Todos eles participaram da vida política desses principais eventos da história do estado", diz Paulo Santos de Oliveira, em entrevista ao Viver. "Na Guerra dos Mascates, que começa em 1710, temos Bernardo Vieira de Melo, mas também o governador Dom Manoel Álvares, o que mostra a visão do poder político português e também o papel da igreja. Temos ainda alguns personagens que pouca gente ouviu falar."

O autor estreou na literatura com o romance A noiva da revolução (Comunigraf, 2007), que baseou o documentário 1817, A revolução esquecida, de Tizuka Yamazaki, vencedor do prêmio TAL (Televisión América Latina), e a história em quadrinhos 1817, amor e revolução (Cepe, 2017).

Ele admite que, em maioria, as histórias contadas são aquelas dos homens brancos e ricos da época, pois carecem de registros sobre os colonizados - um sintoma que se repete em todo o Brasil. Contudo, além dos já conhecidos Henrique Dias, Felipe Camarão, Zumbi dos Palmares, entre outros, o autor chega a trazer personagens como Gertrudes Marques, uma mulher negra que participou da Revolução de 1817. "O único registro achado é um que afirma que ela passou semanas levando ‘bolo de palmatória’, ou seja, pancada. Tentei criar uma narrativa sobre como ela viu aquilo. Como foi a revolução na vida dela? Existem poucos registros sobre mulheres no geral, pois elas eram excluídas da vida política", diz.

"Tivemos grandes historiadores. Joaquim Nabuco, que é um patrono dos historiadores do Brasil, ou Manuel de Oliveira Lima. No presente, temos Evaldo Cabral de Melo, Socorro Ferraz, entre outros. Contudo, não existe uma popularização para além da academia. Precisamos de mais livros, filmes, peças de teatro e HQs para ajudar nessa divulgação. Temos uma história com muitos períodos de caráter progressista, democrático".

Ainda sobre a falta de conhecimento sobre as raízes, Paulo Santos aponta um descaso, também histórico, das elites com a memória local. "É tradicional a ignorância, prepotência e ganância das nossas elites com o passado. Do ponto de vista do urbanismo, por exemplo, é absurdo", opina. "O que nós já perdemos aqui é uma coisa impressionante. A Avenida Dantas Barreto, por exemplo, passou por cima de um patrimônio irrecuperável. Já colocaram abaixo arcos holandeses que ficavam na Ponte Maurício de Nassau, além dos palácios que o próprio Nassau construiu", afirma. "Se esse apagamento ocorre com coisas palpáveis e visíveis, como construções históricas, imagine o que ocorre com a memória abstrata, literária. Infelizmente, a nossa realidade é essa. Quem sabe não mudamos aos poucos?".

Assista a live de lançamento:


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