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Mano Brown estreia seu poder de comunicação em podcast próprio

Publicado em: 26/08/2021 12:52

O podcast 'Mano a Mano' estreia nesta quinta-feira (26) com Karol Conká (Pedro Dimitrow/Divulgação)
O podcast 'Mano a Mano' estreia nesta quinta-feira (26) com Karol Conká (Pedro Dimitrow/Divulgação)
Aos 51 anos de idade, o rapper Mano Brown contraria as estatísticas da realidade do povo preto, as quais ele vem cantando sobre desde o início do gigante Racionais MCs, na ativa desde o final dos anos 1980. E a forma como ele consegue cantar estatísticas, encaixá-las em seus versos com tanta organicidade e poder, são indicativos do grande comunicador que ele é, fazendo quase que um exercício artístico de um jornalismo de dados. 

Agora, com mais de 30 anos de estrada, ele encara um outro meio para contar histórias e, principalmente, ouvir histórias: o podcast. Nesta sexta-feira (26), ele estreia o Mano a Mano no Spotify, trazendo diferentes convidados para conversas que perpassam o campo das artes, das redes, da política e do Brasil como um todo. 

“No começo da pandemia, com o mundo todo perplexo, eu pensei que não podia chapar, vendo as pessoas com muitas dificuldades, mentais mesmo. Só tinha uma maneira de não chapar, indo estudar. Estudei teologia, arqueologia, filosofia, ciência e outras coisas relacionadas à África e à diáspora. E em toda reunião com meus amigos, eu falava muito e eles diziam que eu deveria fazer um podcast, que eu era um contador de histórias. Falei com filho, ele gostou também e a Boogie Naipe (produtora) apostou na ideia”, relatou Mano Brown, em uma coletiva realizada na terça (24). (CONTINUA APÓS IMAGEM)
 
 (Spotify/Divulgação)
Spotify/Divulgação
 

No processo, Brown passou a enxergar as dificuldades do trabalho de um jornalista para conduzir um programa do tipo e se preparou lendo e vendo entrevistas aos montes, para conseguir extrair o que achava relevante de seus entrevistados. Até o momento, são oito convidados confirmados: a rapper Karol Conká, na estreia do programa, o pastor Henrique Vieira, o médico Drauzio Varella, o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo, os ex-jogadores santistas Pita, Juary e Nilton Batata e o vereador Fernando Holliday. 

Segundo Brown, a escolha dessas pessoas parte de um critério de relevância e interesse popular por seus trabalhos e ideias, por mais diversos que sejam. Entre os escolhidos, alguns levantaram polêmicas, como Conká e Holliday. Sobre a rapper curitibana, eliminada com recorde de votação do Big Brother Brasil, ele relata que ouviu pessoas sendo contra, chegando a questioná-lo se ele assistiu ao reality. 

“Nunca assisti, mas eu chamaria ela mesmo assim, uma pessoa com 99% de rejeição me interessa muito. Era um momento em que as pessoas não queriam ouvir ela. Mas ali era uma mulher negra como minha mãe, que também tinha opiniões fortes e atitudes inesperadas. Esse olhar que eu tive fez o diálogo fluir melhor”, afirmou Mano Brown. 
 
 

Já em relação ao parlamentar paulistano Holliday, ele afirma incisivamente que discorda de suas posições, classificando-o como “uma inteligência negra emergente, embora equivocado em seu lado político”, mas que também tem muito interesse em ouvir. “A gente tem que analisar que o Fernando Holliday e os eleitores de direita estão na rua, executando o que eles pensam. Não é deixando de falar que eles vão deixar de existir, então vamos ter que dialogar. Não é uma massa que dá pra ser desconsiderada”, afirmou ao ser questionado sobre os debates possíveis em momentos de dita polarização. 

Contudo, abrir espaço para ouvir não implica uma Mano Brown neutro, algo que nunca aconteceu em sua história. Há os momentos em que ele ouve, mas também há os que ele se posiciona. E com firmeza, pois leva consigo ideais concretos desde o começo de sua carreira, pois “o Brasil não mudou tanto como eu gostaria que tivesse mudado”, afirma. Nesse contexto, o Mano a Mano é tocado por uma equipe formada por maioria de pessoas pretas, uma conquista que se orgulha e avalia como significativa ao levar em conta as trajetórias de negros no país.

“O negro sempre teve o ponto de vista abafado. ‘Não, não, negão, depois a gente fala disso’. O rap não espera, a molecada de hoje não esperou, eles invadiram com talento e luta (...) O Brasil tem uma coisa histórica de quando algum negro começa a alcançar ou visualizar a liberdade, alguém grita ‘pega!’. Então o poder da influência, de poder se expressar, de dizer não, não tem preço”, elabora Brown. Suas intenções com o projeto é de misturar entretenimento com debates mais sérios, sendo não só agradável, mas também útil.

Agora, ele marca a presença de sua voz e outras que considera tão importantes em um meio de comunicação em ascensão, no qual sente uma certa afeição por seu formato. “Eu acredito que a palavra ganha mais força quando só ouvimos ela por áudio, sem as imagens. Eu gosto, por exemplo, de fazer videoclipes. Mas com ele, você pega uma música de mil interpretações e dá a sua, isolando 999 outras interpretações (...) A palavra tem muita força, até na respiração a pessoa percebe sua sinceridade. Isso é o diamante do negócio (podcast), a transparência e a sinceridade”, conclui.

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