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DRAMATURGIA

Delivery Dramatúrgico lança e-book sobre escrita teatral na pandemia

Publicado em: 04/06/2021 10:17 | Atualizado em: 04/06/2021 10:24

O projeto traz histórias que refletem sobre como a pandemia estagnou criativamente os dramaturgos (Foto: Divulgação)
O projeto traz histórias que refletem sobre como a pandemia estagnou criativamente os dramaturgos (Foto: Divulgação)
Teatro é presença. Sem a possibilidade de trabalhar com seu ofício nos moldes tradicionais, muitos dramaturgos se encontraram em uma inércia criativa durante a quarentena. É justamente tentando investigar essa escrita teatral no contexto pandêmico que surge o projeto Delivery Dramatúrgico, reunindo seis dramaturgos de cinco grupos de teatro pernambucanos. A ideia instigou a escrita de seis histórias que resultaram em um e-book, disponibilizado gratuitamente no Instagram do projeto @deliverydramaturgico e @gruposaogens.
 
O livro é composto por dramaturgias de: Anderson Leite (Grupo São Gens), Emmanuel Matheus (A construção do ator), Halberys Morais (Grupo São Gens e Iyá Orun), Leandro Navarrete (Cia N.A.V.A. de Teatro), Raphael Gustavo (Cia Experimental de Teatro) e Rodrigo Dourado (Teatro de Fronteira); cada um com uma abordagem e uma proposta cênica distinta. O único acordo em comum era que, com tema e formato livres, cada um escrevesse um texto sobre como suas narrativas foram afetadas pelo contexto atual.
 
“Vem sendo muito enriquecedor poder trabalhar as mais diversas linguagens da escrita dramática através do intercâmbio de saberes com esses criadores”, conta o idealizador do projeto, Anderson Leite. “Uma coisa em comum que nós encontramos foi esse anestesiamento criativo. Então poder parar para mergulhar dentro de si é muito positivo para todo o processo criativo”.
 
Além de dramaturgo, Anderson é produtor cultural, diretor e ator, mas se viu sem trabalho no momento da pandemia. Teve então que recorrer à fonte de renda de parte da sua família, na pesca artesanal, e escreveu sobre essa experiência própria. “No início da pandemia eu tive que me arriscar na maré, para garantir a subsistência da minha família, pescando sururu junto com eles. Fomos todos contaminados, e a partir disso surgiu a dramaturgia”. Intitulada Meu rio é logo ali, a história retrata um personagem que se encontra na margem literal do rio, mas também na margem social. “Ele é abandonado pela sociedade, mas é abraçado pelo rio, nutrindo uma dependência afetiva com ele”, complementa.
 
Todos os autores disponibilizaram os direitos autorais para montagens de grupos pernambucanos (Foto: Arte/Divulgação)
Todos os autores disponibilizaram os direitos autorais para montagens de grupos pernambucanos (Foto: Arte/Divulgação)
 
Junto ao e-book para leitura do público em geral, as dramaturgias também estão sendo disponibilizadas livremente para montagens de grupos teatrais pernambucanos. Como forma de difundir essas montagens, todos os autores cederam os direitos autorais de suas histórias por um período de um ano a partir da sua publicação, indo de 17 de abril de 2021 até 17 de abril de 2022. A autorização é voltada para grupos que desenvolvem suas atividades no estado e para produções independentes, sem patrocínio ou subsídios de editais; esses cabendo a negociação direta com os respectivos autores.
 
DRAMÍDIA
A princípio, a mediação por telas da maioria das apresentações cênicas feitas atualmente poderia tornar tênue a diferença entre o teatro e o cinema. O e-book também traz um pouco dessas reflexões, como a criação do conceito de dramídia: o drama pensado para ser veiculado através de uma mídia virtual. Para Anderson, essas dúvidas foram sendo superadas à medida que o público se acostumou a consumir o novo formato. “Hoje, quando a gente faz teatro através de uma câmera, muitas montagens conseguem deixar nítido a linguagem teatral, que se mantém firme através da emissão e da forma de interpretar, que é muito diferente do cinema”. É desse novo lugar de encontro que surge o conceito do delivery dramatúrgico e o retorno, ainda que virtual, da presença tão necessária no teatro.
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