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MÚSICA

Banda pernambucana Abulidu defende raízes afro-brasileiras em videoclipe de estreia

Publicado em: 01/06/2021 22:24 | Atualizado em: 01/06/2021 22:39

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação


Permeada por elementos da cultura afro-brasileira, a música Quilombo urbano abre os caminhos da banda pernambucana Abulidu na cena autoral do estado. Abulidu, fruto da junção dos verbos "abolir" e "bulir", traz em sua sonoridade vários estilos musicais, como raga, bregafunk, rap, afrobeat, hip hop, maracatu, embolada e outros ritmos da cultura afro-brasileira. O primeiro trabalho do grupo foi lançado com videoclipe no mês passado e está disponível nas plataformas digitais. Assista ao video abaixo.


"A música foi criada partindo das minhas experiências. Sou da favela, cinéfilo, atento aos "Códigos Periféricos" e outras composições. Vi que mesmo dentro da cidade precisamos nos 'Aquilombar' com nossa cultura, com tudo que nos rodeia de expressão afro-artística", conta Hélio Machado, vocalista do grupo e morador da comunidade Suvaco da Cobra, em Jaboatão dos Guararapes. Ele divide a banda com Thúlio Xambá (percussão), Arnaldo Monte (percussão), Paulo Alves (violão), Rogério A. Martins (guitarra) e Raphael César (baixo).


De acordo com Hélio, o grupo busca ficar marcado pela luta ao racismo e a diversidade cultural. "Nossa bandeira faz parte de outras causas e lutas. Queremos levar nossa multiplicidade de sons pelo mundo. Nossa poesia de favela se mistura com pensadores internacionais. Buscamos furar essa parede egocêntrica de 'melhor e pior' dentro desse mundo que é a arte", frisa o músico. O artista conta que a construção dos arranjos é realizada de forma coletiva com a participação de toda a banda.


"Fazemos isso de forma bem harmoniosa. Cada um traz suas referências musicais para a formação das músicas. Raízes africanas na percussão, baixo de música instrumental, guitarra com bastante influência americana no blues e rock, e o violão nordestino", detalha o cantor. A música foi mixada e masterizada pelo produtor musical pernambucano Buguinha Dub, de Olinda. Após a estreia, a banda se prepara para os novos lançamentos. "Pretendemos lançar no futuro próximo, ainda este ano, o nosso primeiro EP. Já para 2022, temos muitas músicas para trabalhar", adianta Hélio.

Confira o videoclipe:


O videoclipe que acompanha a canção foi gravado no Sítio Histórico de Olinda e no Centro Cultural do Grupo Bongar, no Xambá, e contou com direção/roteiro do fotógrafo pernambucano Rennan Peixe. "A realização do clipe foi difícil porque tínhamos poucos recursos, mas o cinegrafista trouxe para o clipe uma Olinda menos pitoresca e mais vivenciada por quem passa por ali, trazendo a verdade da beleza cotidiana das ruas e becos e igrejas, que em sua maioria foram construídas por nós pretos", pontua o vocalista Hélio Machado. 

Para ele, o resultado foi além das expectativas. "Ficamos muito satisfeitos com esse primeiro resultado. Gravamos o clipe no primeiro Quilombo Urbano de Pernambuco, que é o Portão De Gelo da Nação Xambá. O videoclipe carrega beleza, força, ancestralidade e honra, por termos homenageado Guitinho da Xambá", destaca o músico, fazendo refêrencia ao fundador do Grupo Bongar, que faleceu em fevereiro deste ano.

As influências de Abulidu são as diversas. "Somos uma antena na rádio favela. Estamos sintonizados com tudo, funk, brega, rap, coco, afrobeat, cúmbia, samba, maracatu, embolada... Somos uma panela preta cheia de ingredientes", afirma Hélio. Entre as referências locais, estão: Lenine, Nação Zumbi, Cordel de Fogo Encantado e Bongar, e nacionais: Gilberto Gil, Black Alien, Rincon Sapiência, BaianaSystem.
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